21.11.09

BRICS vs PIGS




Hoje, pela fresca, fui assistir a umas aulas de Estratégica na Imperial, a convite de um amigo que escolheu este MBA.

Não fosse uma certa caravana que os meus pais tiveram quando eu era pequena, e seguramente que o meu trajecto não teria passado pela arquitectura. Mas a caravana fascinava-me de tal forma que, todas as noites de verão durante os meus primeiros anos de vida, antes de dormir, fazia questão de relembrar os meus pais do quanto eu gostava daquele espaço.E se já estava deitada, levantava-me para lhes dizer. Daquele quarto, que era sala, e que era quarto de novo, e em que a cozinha tinha as mordomias de uma cozinha dos anos 80, mas andava de Lisboa para onde se quisesse, e a porta dividia-se a meio e fazia de janela, e porta de novo, e tinha tudo um ar modernaço de plástico, esse material bestial, e os vizinhos mudavam, e a envolvente mudava, e tudo e tudo e tudo.

Adiante.

Não tivesse sido a caravana, e baseado no meu material genético, o meu produto especializado hoje em dia não seria espaço.

Não tivesse sido a caravana e teria demorado menos tempo a aperceber-me da importância da gestão para os meus créditos diários de prazer. O que faço hoje em dia está longe do que aprendi na faculdade, e ainda bem.

Em Portugal pensa-se em arquitectura como um mercado de nicho. Ensinam-nos que arquitectos são aqueles tipos de preto, que fazem uma construção muito clean e que são geniais. Pois são, mas são só 5, e todos os anos se formam milhares. Eu não tenho essa inteligência, assim como quase todos os meus colegas. E por isso, em Portugal, a arquitectura é um nicho. Depois, em massa, temos os patos bravos. E no meio qualquer coisa completamente inadaptada das premissas iniciais e geralmente entediante. Que não gera riqueza, que explora quem trabalha e que vive nas frustração de não ser um dos 5.

Faz tudo parte da nossa cultura altamente hierarquizada os pequeninos quererem ser como os grandes, mas sem saberem como, vaguearem na estratégia.


O que queria dividir convosco e que hoje aprendi na Imperial, é que já muita gente antes achou o mesmo. E esta é uma das questões que nos faz pertencer aos países sem perspectivas de crescimento (PIGS-Portugal, Italia, Grécia e Espanha) versus os que de uma forma ou de outra crescerão baseados numa estratégia que tem uma visão competitiva (BRIC-Brasil, Rússia, India e China).


Óbvio não é? Mas não foi fácil ouvir.

18.11.09

Agradeço à vida por ser um jogo





(Escrito a 12 de Outubro do ano passado)

Quando lerem este post já tudo terá passado. Só não o publico já porque, de alguma forma, me iria prejudicar. E só o publico porque creio estar a viver um momento histórico em Londres, que quero recordar mais tarde.

Ainda a semana passada consolava amigos na mesma situação e agora chegou ao pé de mim.

Durante todo o dia não me saiu da cabeça uma cena do filme 'O Pianista'. Logo no início, estão uns judeus à conversa e, perante a ideia de que vários dos seus amigos estariam a ser gaseados nos campos de concentração, o incrédulo judeu mais velhinho -que nitidamente tem até dificuldades em subir umas escadas- diz: ' Mas isso é um disparate. Num campo de trabalho, Hitler jamais dispensaria a minha força braçal'.

É nessa dicotomia que vivo e que agora vos retrato.

A recessão está a ser vivida em Londres como o mito que demorou a chegar e em quem ninguém queria acreditar. Pessoal que trabalha na banca na City é visto diariamente com caixinhas de cartão com o que resta dos seus pertences. Jornais na rua têm insistido em primeiras páginas assustadoras, onde antes só apareciam celebridades a cair de bêbedas. Todo o cenário é triste. Lojas fecham, casas à venda, promoções e saldos em tudo, muito menos pessoal de fato nas ruas, restaurantes vazios.

Tudo piorou ontem. Mais um grande projecto foi ao ar no meu atelier e a Câmara dos Representantes dos EUA não aceitou a proposta de injecção de biliões que Bush pediu. As bolsas caem e nós recebemos um mail a convocar uma reunião geral para hoje de manhã.

Agora imaginem a cena. Eu não podia ir à reunião porque tinha uma visita à obra. A minha directora, que nunca vai, já se tinha comprometido a ir comigo há umas semanas. A obra é a 30min a pé pelo canal. Ela já sabe se eu vou ser 'cortada' ou não. Mas não me pode dizer.

Até 6F, portanto 3 longos dias, as pessoas têm tempo para se dirigirem aos directores e voluntariamente saírem. Eu explico. Há quem já estivesse a pensar sair de qualquer maneira: reforma antecipada, vistos a acabar, estágios no fim, regresso aos seus países, anos sabáticos, passagem para part-time. Esses que se cheguem à frente. E depois na 6F é anunciado o quinto do atelier que vai sair.

Agora imaginem a cena.30min para lá, 30 min para cá.Por muito inglesa que ela seja não consegue fazer conversa de treta por uma hora. É uma conjunctura de arrepiar.

Eu sei que posso estar na lista. Há duas semanas tive a minha revisão anual e fui promovida. Não podiam estar mais impressionados com a minha dedicação, dinâmica e método. Mas a recessão não olha a nada disto. Não sou inglesa, cheguei há menos de 2 anos e o meu projecto não é dos que dá mais dinheiro à casa.Só peço que não me façam trabalhar o mês que são obrigados a pagar. Se me mandarem embora na 6F garanto-vos que na 2F seguinte estou num Starbucks. Nunca tive medo do trabalho.

O ambiente do meu atelier, que sempre foi o melhor em que alguma vez trabalhei, está de cortar à faca. Só se ouvem os teclados, ratos e sussuros. Antes, por vezes, aborrecia-me a barulheira.

Na secretária à minha direita está um chinês que foi pai há um mês. Ouço-o a dizer à mulher 'Isto não está bom, não sei como vai ser na 6F'. Pensa que não sei o que diz. À minha esquerda senta-se o Scott, um escocês que vai ter uma filha em breve. É mesmo bom no que faz mas chegou há pouco tempo. Tudo isto é muito triste e ninguém sabe quais serão os critérios da escolha.

No fim de tudo há algo que tem tanto de ridículo como de verdadeiro.É que me dá algum gozo estar a viver um momento histórico.

5.11.09

Dois acontecimentos lusos, a não perder, aqui por Londres.

Passem com o cursor nos nomes para abrir os sites (mãe-o cursor é a setinha)



Primeiro , concerto do David, dia 13 de Novembro- 6F-8pm @ Angel (essa bela localidade) no Zenith Bar

David é jovem para actuar sob o nome de Noiserv, coisa tranquila e tal. Boa onda.




Depois, e já pela segunda vez, Stand-Up de António Raminhos e Pedro Ribeiro, dia 22 de Novembro-Dom- 8.30pm @ Brixton no Dogstar




Vi-os na primeira volta. Fui a medo, porque além do Black Books há pouca ficção que me faz rir à gargalhada e, sim senhor, é mesmo para rir. Prova disso é que esta imagem está em primeiro lugar na pesquisa do Google Images para António Raminhos+Pedro Ribeiro. E o Google sabe. Comprar bilhetes aqui

23.10.09

Ano e meio depois (ver post 12.03.08)




Ano e meio depois, com apenas 80 colegas e já não os 110, volto a cozinhar para o 'almoço de família' que o meu atelier tem semanalmente, e no qual um de nós é escalado para fazer de Chef.

Easy peasy.

Não mudei muito o menu que usei da última vez- que em equipa vencedora não se mexe- apenas o adaptei ao orçamento apertado que agora temos (135 libras e já não as 200). E, com uma noção mais clara dos tempos de cada prato, assim como a potência dos fornos das 3 cozinhas e espaço de armazenamento nos frigoríficos, tudo aconteceu suave.

Só tenho pena que tenha que esperar mais ano e meio para ser eu de novo.

Just love to be challenged.

(Acima está o flyer tipo publicado por email a cada manhã de quinta-feira, com a ementa do que irá ser servido. Outro semelhante é também enviado com o tema da conferência/debate escolhido para depois do almoço e que dão créditos para a formação contínua que a RIBA - Ordem cá do sítio- obriga aos arquitectos nela inscritos.)

12.10.09

Hoje




Hoje estive o dia todo sózinha dentro de uma casa vazia. Não foi bem sózinha. Foi antes com os fantasmas de histórias e pessoas que ali viverão. Normalmente essas histórias aparecem nos meus sonhos. Mas hoje entraram e saíram numa ventania desgraçada, por quase 10 horas seguidas entre os 3 pisos. Vi miúdos a cair das escadas, vi os pais deles a reclamarem do meu trabalho, vi a adolescente a pôr colares nas minhas paredes e a mãe a não conseguir acertar com o baton porque o braço fazia sombra na cara, quando se via ao espelho. Vi a noite e vi a chuva. Vi os foguetes do 5 de Novembro e o casamento do príncipe William e a almofada com a Union Jack a crochet.

Quando no final do dia saí a ferros da casa, que os meus olhos já não aguentavam e há 3 dias que a senhora das limpezas me andava a pedir pelas alminhas para aspirar a minha área de trabalho, estava a chover a potes em Londres. A chover tipo Bangkok. Forte e feio. Para inglês ver. Estava sózinha no atelier.

Estive o dia todo a viver paralela ao mundo.

koekoek clock,Chris Koens



Aqui há uns domingos estava a deslizar por Angel quando entrei na Twenty Twenty One e encontrei esta pérola.

Quando os ponteiros se mexeram o meu tempo parou.

Foi uma sensação tão estranha. Lembro-me perfeitamente. Estava a empregada japonesa atrás sentada à secretária, vestida com um avental branco e a escrever um texto, e um casal de meia idade a uns metros à minha esquerda, a ver cadeiras.

Eu estava num corredor apertado e baixo ,revestido a madeira, e entre uma prateleira invisível e um bengaleiro feito de setas, este relógio. É uma peça muito pequenina e não faz barulho nenhum. É mesmo pequenina e parecia perdida na loja.

O detalhe está em como quando o ponteiro anda a pena demora uns milésimos de segundo a chegar, e isso torna o tempo mais leve. É brilhante. É mesmo absolutamente brilhante.

Quase que não se percebe mas a diferença está lá.

16.9.09

Open House 2009



O London Open House e um evento anual que permite a qualquer pessoa visitar varios edicios na cidade. Casas, escritorios, bastidores de teatros, arquivos de bibliotecas, vestiarios de campos de futebol, jardins privados,cozinhas de restaurantes tops,torres sineiras, caves, obras olimpicas,etc.

E o meu atelier.

E a oportunidade unica de ver de perto tesouros espaciais doutra forma exclusivos a meia duzia de insiders.

Voeyrismo ou nao a verdade e que e um evento que move milhares de pessoas, entre voluntarios, visitantes e pessoal palhaco a aproximarem-se do verdadeiro intuito da arquitectura: perceber o que nos envolve.

Por isso, se me quiserem ver a sorrir duas horas este Sabado, venham dai e mostrar-vos-ei o maravilhoso mundo de um antiga fabrica victoriana recuperada em atelier de arquitectura.

‘Ah, mas eu gostava era de ver a tua nova casa! Esse maravilhoso nectar espacial ’.

Para breves meus queridos, para breve.

9.8.09

Mesrine



O Mesrine- Death Instinct já passou aí? E o Mesrine- Public Enemy Number One?

Acabei de chegar do cinema e estou em êxtase.

Raio do Cassel é melhor que o Big Mac. Nunca te engana.

(um dia conto-vos como o meu vizinho americano levou um murro no estômago ao ver o seu primeiro filme de acção europeu. Foi de dar dó. E não o viu ele no La Haine)

5.8.09

Preguicite




Eu sei que ha ja algum tempo que nao escrevo.

Eu sei que nao devia estar tanto tempo sem escrever, porque fico com a mao enferrujada e com a vontade pegajosa, e depois vem a infeccao da preguica* e fica o caldo entornado.

Actualizacao de 30seg : estou apaixonada pela minha casa nova e pelo meu novo bairro-Angel; pela primeira vez estou num projecto sozinha na zona Este de Londres; em 15 dias vou de ferias para os Pirineus e depois vela pela Sardenha; em Lisboa so devo aparecer a meio de Setembro; estou quase a virar-me ao contrario no Pilates; recomendo vivamente que leiam ‘The Road’ do Cormac McCarthy+ vao a Fundacao Henry Moore+ visitem um segredo de Angel chamado ‘Candid Cafe’+ explorem as pecas de teatro nos ambientes intimistas dos pubs; preciso de pecas para as minhas paredes caso alguem tenha um rascunho bonito a mais;pensamento silly season:os sapatos Paul Smith sao os mais bonitos de Londres,um beijo e saudades.

Pronto, tenho escrito.

A infeccao da preguica, a semelhanca de todas as infeccoes, acaba em –ite. E portanto preguicite.

19.7.09

E depois não querem que eu tenha saudades de Portugal




(Isto põe qualquer Britcom a um canto)

17.6.09

Quem



Quem é que vai às corridas de Ascot este Sábado quem é?

16.6.09

Miss Teresinha



Quando a minha vida estava no início tive a maior das mestres, a que abriu caminho para tantos professores fabulosos que tenho tido. Incluindo os últimos génios de Cambridge que me abriram a pestana para a possível amplitude da vontade humana. Que,tal como me explicaram, começa na infância e é por ela prematuramente determinada.

O colégio onde comecei a minha formação era inglês, e por isso as professoras eram 'miss'. Muitos antes de ser Miss Londres fui fiel devota da Miss Teresinha.

Que me explicou que a sombra ainda era o meu corpo, que me fascinou quando ferveu água para a ver voar leve, que me fez mais alta quando pôs a minha mistura de azul+amarelo=verde na 'parede das descobertas fantásticas' e que me levou de comboio à minha primeira viagem ao Oriente: Vila Franca da China.Or so I thought.

Principalmente ensinou-me a aprender. Aos 3 anos.

Há quase 26 anos que não sabia nada de si.

Até ontem.

Ao que parece entrou recentemente no consultório da minha mãe e pediu docemente às meninas da recepção para escreverem 'Miss Teresinha' na sua ficha.

Depois de horas à conversa pediu o meu mail e ontem escreveu-me.

Terminou com 'Está sempre atenta às tuas intuições,não as adies.'

Se viesse de qualquer outra pessoa seria o equivalente humano do Reader's Digest.

Mas da Miss Teresinha é quase bíblico.

15.6.09

Funking hell



O pior de vir a Lisboa é ir de Lisboa.

Se soubessem como me custa tanto e tanto ir-me embora.

Deixar para trás um bocado de mim, todo o calor, e as colinas, todo o calor, até o suor, e as colinas, e os miradouros, e o que é meu.

É que por muito que se passe em Londres, Londres não é minha, eu só a estou a usar para a descartar no futuro.

Mas isto é meu. Tudo meu. Tudo tudo meu. Tudo meu meu. Como o louco da praça do Cinema Paradíso.

O pior de vir a Lisboa é que eu cheiro mal durante uns tempos, que ando convencida que os infelizes fedem.

E não me toquem, não me falem, no avião serei a lá do fundo qual teenager renegada de liceu. Não, não quero água, nem paz no mundo. Eu neste momento quero é Lisboa.

É que me dói mesmo. É físico. Para ser rigorosa o que me dói é o esternocleidomastóideo. Fora de brincadeiras. Se olharem com atenção são até capazes de a ver e tudo. Que a dôr fá-lo inchar ligeiramente.

Funking hell.

7.6.09

Sevilha



O que nutro por Lisboa e amor. Unico, calmo e de Domingo.

O que nutro por Sevilha e paixao. Intriga. Seducao. Ruas escondidas. Muito calor. Ventoinha de tecto. Completamente Sexta-Feira.

Primeiro a paixao. Depois o amor.

Ate ao Santo Antonio.

Beijo

28.5.09

Pear not



Eu sei, eu sei.

Só para dizer que estou convosco nesta altura difícil em que anualmente as pêras rocha são retiradas das prateleiras dos Sainsbury's.

No fundo, é o nosso Ferrero Roché da Costa Oeste.

20.5.09

you sushi lovers



Era para falar de sushi mas afinal nao vou falar de sushi.

(agora ando nesta de escrever como falo, fica uma porcaria mas olha)

a venda aqui

7.5.09

www.6billionothers.org


Sempre desconfiei das pessoas que encontram amor na padaria da própria rua.

Há no mundo milhões de padarias, biliões de pães diferentes, porque ter a ambição do papo seco?

Se forem a Paris nos próximos tempos- que anda linda e primaveril por sinal- desvendem o Grand Palais, onde veio à luz esta maravilhosa exposição.

Mas se estiverem a ver o Miss Londres à socapa da vossa arrofada em casa, vão ao site do título, percam-se no mundo, e tenham dimensão do grão de areia que somos.

Por um lado é a inveja que me leva a dizer estas coisas.

No ano passado, estava perdida nos confins de uma praia deserta com um jovem nativo a cavalo -isto é verídico mas não é porno chachada juro, é mais a dar para a Rua Sésamo - e ele perguntava 'çê móra ondchi? pareci di são paulo', 'não' respondi ' moro na Europa, conheces?', 'conheço não, nem quero dona, tenho tudo aqui: moça bonita, manga prá comê e um forró todá seista'.

Vai buscá-las.

Nativo 1- Miss Londres- 0

5.5.09

Criatividade nas escolas



Eu hoje era para vos falar de uma coisa bem diferente desta. Era para vos falar da clareza das apresentações inglesas e em dois artigos sobre Portugal publicados recentemente do Financial Times. Era para vos falar sobre a ligação entre ambos os temas.

Acontece porém que tenho o privilégio de ter os amigos mais interessantes que se pode pedir. Munidos não só de uma imensa paciência para me ouvir mas principalmente de inesperadas perspectivas. E depois não se ficam. Não raras vezes tenho mails a continuar conversas intermináveis, ou notas de rodapé no meio de outros temas, livros apontados a lápis.

Um dos amigos que comigo desceu parte da costa brasileira foi o Ricardo. Nessa viagem nasceu uma longa conversa sobre educação, professores,ensino. Creio que foi em Salvador da Bahía, mas não estou certa. Sei que ferveu em Salvador da Bahía.

Falávamos sobre este tema que tanto me vem apaixonando ultimamente, sobretudo com o que de fascinante as crianças de Elephant and Castle me têm ensinado.

Depois continuou várias vezes em Londres, com outros amigos à mistura,em subtemas, sendo um dos mais recentes a importância-que considero primordial- da criatividade sobre a alfabetização pura.

E hoje o Ricardo enviou-me ESTA pérola.Cheers Ricky.

Enjoy.

21.4.09

coppers for karma-talk to frank



Go guys

16.4.09

Underground love



Tinha acabado de pecar.

Havia enviado uma alma, em plena King's Cross- Picadilly line, para a Northern line, sendo que queria ir para Waterloo.

Tinha-me sentado qual ajoelhada, a orar à TFL jurando iniciar a penitência mínima de 3 meses a subir a pé as escadas rolantes de Angel.Sua pecadora, mil oysters te persigam, juntamente com o tipo que toca saxofone com o aspirador, em Oxford Circus. Sem Metros, sem London Papers, sem Lites.

E então sentaram-se à minha frente,lado a lado, dois pares de amigos, com cerca de 70 anos de diferença.

O par mais novo saltava do francês para o inglês enquanto se focavam nas suas Playstations portáteis. Os mais velhos eram nitidamente amigos de longa data.

E foi na conversa dos mais velhos que me prendi. Falavam de spam.

Competiam entre quem recebia mais mails.

'You see' -dizia um muito londrino, com o seu chapéu tweed, e a falar sem virar a cara e com os olhos fechados- 'Yesterday I had a oopsy daisy with my loved one'.Continuou 'As regarded later on, a very important and prioritized email was sent to what someone has decided to call'- baixou o tom de voz e respirou fundo- 'junk mail'. ' My attention has been drawn to the fact that love can nowadays be misregarded as' de novo baxinho 'junk'.

O amigo, nessa típica maneira inglesa de ficar estupefacto, levantou a sobrancelha direita e, sem nunca se virar, disse 'Atrocious how emotional hunger can so easily be circumvented'.

Bem haja a esta sapiência perante o amor.Bem haja à deliciosa calma inglesa.Bem haja aos antigos amores modernos.

25.3.09

Índios

Às vezes preciso que o Renato Russo, do andar de cima, me lembre que esta terra não é minha, é de índios.

23.3.09

Black Books ou Como decifrar o homem inglês (vá irlandês)


9.3.09

Ironia




Desculpem estar a bater na mesma tecla, mas é o momento que vivo, e com o qual tanto tenho amadurecido.

Há mais de um ano herdei um pequeno projecto em obra. Semanalmente tinha que defender questões em reunião com equipas exclusivamente compostas por ingleses de meia idade, e quase diariamente estava nesse ambiente onde uma arquitecta com cara de 14 anos e estrangeira não é bem recebida.

Rever os dados: arquitecta, 14 anos, estrangeira.

Arquitecta- Mulheres em construção é tramado. Aqui e na China. Nada de novo: been there, done that.

Cara de miúda- a construção é um meio em que a experiência conta muito. Saídas tipo 'naquele projecto em que usei este método' dão confiança extra a quem connosco trabalha. E eu tenho tanto cara de miúda que quando cheguei à obra no primeiro dia o empreiteiro tentou impedir-me a entrada já que estudantes com menos de 18 anos não podem entrar desacompanhados. Só depois percebeu quem eu era e que o nome que assinava os mails era feminino.

Estrangeira- Imaginem escoceses, irlandeses e ingleses a falarem num calão que nem 10 anos numa barbearia me ensinaria o que quer realmente dizer.

A juntar, não sou vesga,marreca ou gordalhufa.

Iniciou-se um processo desafiante. Com bastante dinheiro envolvido e um cliente importante para o atelier, a confiança construiu-se muito à custa de ser profissionalmente bastante fria, e de um método de trabalho que os obrigava a alguma dependência de informação. O princípio de 'Acção-Reacção'.

Passou-se um ano e a obra acabou comigo a dar conselhos sobre o Algarve.

Hoje soube que a empresa abriu falência e estes senhores todos postos na rua.

Um deles ligou-me e eu pensei em como no meu processo lá em cima apareceu um 'visto' no quadradinho que diz 'Guida aprendeu a relativizar'

7.3.09

The View from the Bridge




Em Londres é fácil assistir a peças fora de série.Numa altura de credit crunch, tem a grande vantagem de, se chegares em cima da hora, conseguires ver o que de melhor se faz em escrita, encenação e interpretação, a preços de amigo.

Eu tenho visto muitas. Frequentemente aos Sábados à tarde, na altura em que o turista aposta nos musicais.

É fácil porque há sempre aquele bilhetinho que ninguém quer, mesmo que de pé. E choro, e aplaudo e fico embasbacada, louca da vida, porque entro mesmo na história, com as luzes, os cenários e a credibilidade que toda a qualidade te oferece.

É fácil.

O que é difícil, diria mesmo quase impossível, é chegar ao 'The View from the Bridge' do Arthur Miller, em cena no Duke of York, West End.

Para quem já viu o 'Há Lodo no Cais' do Elia Kazan, com o bruto do Brando, as semelhanças são bastantes.

Em Lisboa temos teatro de grande qualidade e tenho muitas saudades de assistir a peças na minha língua. Mas é preciso filtrar muito. Porque regra geral são sobre análises demasiado superficiais a problemas da geração dos 20-30-40 de Lisboa (ou seja, se parte do teatro é conseguir que entres na história, se a história te é familiar que acrescenta o teatro?), ou com textos pobres mas bons actores, ou textos riquíssimos mas actores baratos, ou pior que isso tudo, peças em que o guarda-chuva faz de montanha e tudo roça um forçado intelectualoíde.

Esta peça é limpa. Tragédia grega, ao estilo americano.

Pelas alminhas, para os que gostam de teatro, considerem comprar um vôo e virem assistir à força da cultura que é possível, que chega a todos e nos enriquece sem pretensiosismos.

*****
'A West-End triumph that proves the best way to confront the credit crunch is simply to put on great plays and put them on superbly'
Sunday Express


*****
Gripping'
The Times

*****
'Ken Stott is mesmerising'
Evening Standard

27.2.09

Sarah Bettens



E a recomendação deste fds é a ex K's Choice, Sarah Batten- Scream. À falta de melhor maneira de transmitir a ideia fica o video da 'amiga do peito' com mais energia do momento.

24.2.09

you homo-loving sons-of-guns



Clive Owen he ain't mas há homens de nariz grande que conseguem pôr-nos o sangue a ferver só com personalidade,god damn it!

19.2.09

Prazer




Vamos falar de prazer. Mas não vamos falar de sexo, apenas e simplesmente, porque não tenho qualquer interesse em saber da vossa intimidade e partilhar a minha. E porque me parece limitador pensar que o ser humano na sua vida adulta apenas tem prazer através de sexo. Já sabemos que somos todos, antes de mais, uns animais e foquemo-nos no que nos distingue dos irracionais.

A nossa geração é extraordinária. Nunca ouvi falar tanto de qualificação como agora, e aplaudo de pé a minha colheita. Lembrem-se que fomos os miúdos do primeiro hipermercado nacional,vivemos insuficientes marcos históricos relevantes -naturais na evolução de um grupo- e fomos gratificados antes pela melhoria das técnicas do jeitinho, do que pelo respeito da conquista pelo método. A nossa luta não foi na rua, a nossa luta foi sempre na busca de referências de qualidade.

E de repente, acordámos adultos e um tanto desorientados em relação ao lugar onde buscar prazer, o fio condutor da vida.

Pode ser família.

Pode ser amor.

Pode ser alinhamento espiritual.

Pode ser comunidade.

Pode ser carreira.

Chamem-me louca mas acredito que no presente capítulo histórico podemos afinar a orientação . A recessão passa um Sonasol na vida. Importa: fica. Não importa: lixo.

Tenho assistido, mais do que em qualquer outro momento da vida, a diárias provas de sábia condução de prazer:casais que se voltaram a ver para lá da rotina cinzentona, famílias que deram prioridade ao conjunto, decisões pessoais de risco que motivaram a ajuda ao próximo, etc.

Em questões práticas é mais fácil explicar.

O A. vai voltar para a Austrália e mudar de profissão. Estava farto do trabalho, ter sido levado na molhada de despedimentos foi só o 'kick on the back' que estava a precisar. Com o pacote de saída vai abrir uma loja de chocolates em Melbourne.

O G. está no Brasil a curtir o carnaval. Há anos que me dizia que queria conhecer a América Latina.Não sabe quando volta.

A T. tem dois filhos e o marido viu o seu salário reduzido. Venderam o que tinham a mais e os programas são mais a 4. Têm uma tabela no frigorífico de quanto precisam cortar por mês. Os miúdos entram nas sugestões.

Há milhões de promoções inovadoras em Londres. Teatros, exposições,passeios. A Time Out tem agora uma secção dedicada ao Credit Crunch.

As intituições de caridade não têm mãos a medir. Os voluntários triplicaram nos últimos meses, estão já a rejeitar ofertas.

Nunca se discutiu tanto a importância de Deus. Há até cartazes nos autocarros que dizem 'Provavelmente não existe Deus, deixa-te de cenas e goza a vida'. Para testar a nossa Fé.

And so on.

O prazer, meus amigos, é todo nosso.

8.2.09

Ichamaoé Icabubu, a atravessar o Mekong



Abandonou hoje Londres um dos nossos melhores amigos e uma das pessoas mais próximas do meu coração.

Isso não se faz.

Sobretudo deixa-me de rastos pensar que já não vais estar no italiano de esquina esta quarta.

Detesto que Londres seja esta cidade aeroporto.

1.2.09

Conselho de cultura deste Domingo



'Please clear up the etiquette on when to kiss once, twice or not at all at social gatherings?

Ah, what a trial it is to be British in the modern world. In the old days, life was so much simpler: you shook hands with a stranger, or you shot him and took his country. Now every social gathering is a morass of potential embarrassments and ceaseless mental whirrings as you try to recall every nuance of past meetings, calibrate your relative social standings and arrive at the correct degree of bodily contact before your personal spaces intersect and momentous decisions have to be made. It is a nightmare. No wonder we're a nation of bingedrinkers. It is the only way to cope.' The Guardian

Best Hostel

cliquem aqui

go,go pessoal com ideias novas e que não passa a vida a queixar-se que a vida doi.

é um orgulho ser portuguesa e ver as 3 primeiras posições deste ranking (e também a oitava) serem ocupadas por jovens do meu país.

15.1.09

slumdog millionaire



pelas alminhas,

vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver,vão ver.

(e esses ouvidos a postos)

14.1.09

Elephant and Castle



Foram muitas noites de 5a feira a distribuir comida nas ruas de Londres. Tantas e tantas historias de pessoas que acabam sem tecto pelo vicio,por dinheiro ou por amor. Historias de vidas loucas como o Richard, o Mark, o Bernie e o Antony. Ou como o Wang que me descrevia em mandarim o que queria e aproveitava e pedia mais um extra sem os outros saberem. E um trabalho nobre, feito por muitas pessoas que ou ja sairam das ruas, ou que como eu queriam testar este universo paralelo. Devo muito do que aprendi aqui a Simon Comunity que faz muito mais que caridade, de Camden a Waterloo, ano apos ano.

Mas em 2009 resolvi dar prioridade a uma outra causa e comecei hoje outro voluntariado: ensinar arquitectura a alunos de uma escola problematica.

Imaginem a cena. A zona e Elephant and Castle, a sul de Londres. A escola e murada por 3 metros de cimento debruado a arame farpado. Dos 24 meninos e uma menina indiana, um e chines e os restantes sao anglo-africanos.

Eu sou Miss Pinto, e eles nao olham nos meus olhos.

Somos 6 orientadores ligados a area de construcao: um engenheiro civil, um gestor de projecto, um engenheiro de fogos, uma engenheira de sistemas e um responsavel de uma equipa de construcao.

O ‘ice break event’ hoje incluiu a apresentacao e uma competicao da torre mais alta construida com spaguetti e marshmellows.

A apresentacao foi feita na tao inglesa vcersao de spead-dating. Cada grupo de 4 alunos entrevistava os orientadores em 90 segundos.

Claro esta que sou a unica estrangeira. ‘Miss what miss?’ ‘ Pinto, that’s P-I-N-T-O’ ‘And what is your favourite building?’

Na sessao anterior de planeamento, o director da escola tinha-nos dito para estarmos conscientes para o facto de em raros casos estes alunos de 14 anos terem saido de Elephant and Castle.

Pensei: ‘ vou dizer qualquer coisa que eles tenham visto na televisao’ .

‘E o Coliseu, em Roma’, respondi. Nao ia dizer o Tesco de Elephant and Castle, right.

‘Coliseu?’ , perguntaram a olhar uns para os outros. ‘ E como e que isso se escreve?’

Raca dos miudos. Estava a correr tao bem.

‘Acaba em E-U-M’, disse com ar muito serio. Ao longo da minha vida de estudante sempre tive a ideia que os professores respondiam so a parte que sabiam, e nao necessariamente o que eu perguntava.

Desta vez sai sem nenhuma facada.

Wish me luck!

8.1.09

Lenita?



Mais uma pérola dos GANA (Guionistas e Argumentistas Não-Alinhados), os autores do Programa do Aleixo.

(Joaninha,esta é dedicada a ti, as naves e não sei quê...no fundo é para me purgar dos traumas de infância que me deixaste.Só espero que não vejas isto no trabalho,focus no cockpit)

5.1.09

Entrar em 2009



Fui passar o fim de ano à Bretanha e vim deliciada com a qualidade de vida daquela gente. Casas extraordinárias (cozinha na sala, lareira no meio,luz em todas as frentes, prateleiras de madeira com a loiça à vista, estão a ver o cosy da questão), um enorme veleiro no jardim e o mundo precisa de pouco mais.

Mas de entre todas as coisas que aprendi, houve dois temas que me supreenderam. A saber:

a) como os parisienses curam ressacas

b) gastronomia

a)primeiro dia acordo com a casa em silêncio, depois de ter quase a certeza que alguém já teria tocado o sino de alvorada. Eis senão quando, desço e vivo a cena final de 'Os Pássaros' na sala. 10 franceses caladinhos, cada um em sua posição inimaginável, a ler BD belga à volta da lareira. Depois,muito devagarinho, iam terminando e passando os livros de mão em mão, sussuravam qualquer coisa, punham um 'croissant' na boca, e de novo à carga. Juro, foram mesmo horas. A pouco e pouco terminavam a hibernação e voltaram à realidade. No primeiro dia todos os estrangeiros gozaram, mas só mesmo no primeiro dia.

b) God damn it, nem sei por onde começar. Por isso vou partilhar convosco as minhas anotações:

-bolo de mel (pain d'épices, mas experimentem com o da Madeira) saído do forno com 'foie gras' caseiro de pato (de pato é da zona Sudoeste, de ganso é da zona Norte), e vinho Sauternes (ou outro qualquer doce, pode ser Porto). Sinceramente,tive vontade de chorar.
(Nota: paté é feito com todas as carnes do animal, o foie gras, como o nome indica, é só o fígado. Aprendi a fazer, é um processo moroso e bastante ´gráfico´mas altamente compensador)

- 'Os à moelle', que é qualquer coisa como a parte interna do fémur da vaca, que é cortado a meio e cada uma das metades assadas em forno de lenha. Vai à mesa com pão de centeio torrado na hora e flôr de sal de Camaret (que era a vila onde estávamos). Tem um aspecto gelationoso e barra-se sobre o pão com sal por cima. Um fémur dá para 4 pessoas. É um prato barato porque ninguém quer o fémur da vaca, e sempre se investe num tinto mais puxado. Again, aquela sensação de 'eu não mereço'

- Crepes brancos e crepes escuros (galettes). Não há cá pão para malucos. Os crepes são os brancos e só se servem à sobremesa com limão e açúcar, ou nutella e banana. Não há nisto muito espaço para criatividade. Aliás, estou convencida que os bretões não são dados a doces e o açúcar que ingerem vem apenas da pastelaria. As galettes são salgadas. Queijo ralado, fiambre com ou sem ovo. A acompanhar é cidra bretã de pressão (diferente da inglesa/irlandesa em que a fermentação é do sumo e não directamente da maçã) em taças de uma haste.

-Sobre o queijo não consigo transcrever-vos as minhas notas. Fica reforçada a minha profunda devoção ao Comte, mais uma vez, sobre todos os outros. Logo seguido por Saint Nectaire. Nisto não há mariquices, é a good old baguette fresca, com doce de cebola. E um tinto, claro.

- O marisco,sem grandes novidades. Famoso na região e fresquíssimo (aliás comprámos aos pescadores) mas em tudo igual à nossa maneira de cozinhar. Mexilhões, ostras, lagostins e búzios.Igual.Acompanha Pinot Gris gelado.Ah minto, os camarões foram salteados em manteiga salgada e whiskey,

Bem, agora de volta a Londres, espera-me neve, e a libra abaixo do euro.

Cheira-me que vou viver a fémur por uns tempos.

28.12.08

O Tempo ou A vovó é a nº1



Este ano vim a Lisboa um número surreal de vezes. Entre casamentos,escalas,nascimentos,S.António.

De todas as vezes que vim tudo se passou intensamente.

Mas nada que se compare a este Natal.

Embora parta para mais festa, queria multiplicar o tempo com os meus amigos de sempre, ir ao cinema com os meus primos e o Luís, dar banho ao meu afilhado, aprender física com o meu avô Pinto.

Principalmente gostava de ter uma caneta de ponta fina preta e a perna traçada para ouvir a memória da minha avó,de vida fértil e atitude eléctrica, sabendo que começa agora a viver na fantasia.

O tempo é de natureza tramada: o tempo a curto prazo e o tempo da vida.

A horas do avião para Paris,penso no ano que termina e na riqueza que a vida te dá de graça.Em como me dá gozo poder jogar este jogo e em como o tempo só o potencia.

Por isto tudo,feliz 2009,que são só 12 meses mas que 12 meses poderão ser teus.

Enjoy.

20.12.08

Merry Christmas


Vou comecar este post da maneira que me lembra o Miss Xangai: Vou tentar explicar uma coisa que nao se explica.

Para 99.9% dos ingleses uma festa implica um disfarce. E a base da regra bem local de ‘don’t take yourself seriously’ ou ‘bora la expormo-nos ao ridiculo para melhor quebrarmos o gelo’. Os mesmos formais a trabalhar tornam-se proporcionalmente informais em festa. E nao pode ser do alcool porque as mascaras sao preparadas com bastante antecedencia,num processo que se torna complexo porque ha uma estranha cultura a volta de descobrir o que e a mascara e em si. Por exemplo, se o tema e ‘Espaco’ nao podes ir de E.T, tens de ir de menina-que-grita-no-filme-do-e.t. Ser rebuscado e o lema.

E e aqui que os meus problemas comecam.Eu nao gosto de carnaval. Nadinha, nadinha.

A festa de Natal do ano passado nao foi terrivel porque o tema era ‘The Rat Pack’ o que dava lugar a elegancia, com casino, jazz,gangsters,etc.

Mas este ano o tema e ‘Underground’. Ha pessoal que vem de peruca (segundo os londrinos Barnet significa peruca, e ha uma estacao que se chama ‘High Barnet’), o escritorio de Liverpool vem de elementos da rua (relativo a estacao de ‘ Liverpool Street’), ha anjos para todos os gostos (a estacao do meu atelier e ‘Angel’), ha tambem galos para a estacao de ‘Cockfosters’ and so on. Um dos socios mais importantes vem de veludo...‘Velvet Underground’.No further comments.

6 das minhas colegas chegaram ao pe de mim e disseram: estamos a precisar de ti para a 7ª freira. E a coisa mais indiscritivel aconteceu ao meu corpo. Eu abri a boca e de la saiu um som semelhante a um ‘iesse’. Ha uma estacao ca que se chama ‘7 sisters’.

Depois desse dia, todas as noites antes de me deitar, bato violenta mas consistentemente com a cabeca na parede...mas porque e que eu aceitei?

Podia ter posto umas asas nas costas –com a vantagem que nem tinha que enfrentar a minha mascara- e agora vou coberta num pano ridiculo.

Eu sou ridicula, estou a ficar uma deles.

Faltam 2 horas para comecar.

19.12.08

www.december18th.org



Um Feliz Natal passa pela paz,não passa só pela boca.

14.12.08

Enjoy



Desde o Royale Family que os programas de humor têm em mim um efeito 'b-o-r-i-n-g'. O Programa do Aleixo pôs fim a essa travessia e retomou a minha fé no poder de planeadamente fazer rir alguém. Geralmente o que me faz rir até às lágrimas é o improviso sem sentido.

Isto é tão nonsense mas tão nonsense, que lhe dá um pouco de Londres em português.

'Douradinhos? Olha que são só dois...e frios...e não podes repetir'

'Vou ensinar-te mas é um truque para restaurantes, olha abres a manteiga e o paté das entradas com cautela, comes tudo e depois enches os pacotes com miolo de pão,...'

1.12.08

Em Piaçabuçu



Ou seja, no fim do mundo, no Brasiu.

17.11.08

Mangue Seco



Um dia havemos de falar de Mangue Seco.

Onde as ruas sao de areia, as pessoas sao doces e o tempo corre lento.

Onde ha guitarra e vozes juntas a noite, onde sobes ladeiras de dunas para veres a lua no mar e escorregas a rir por dentro, por fora, e pela vida toda.

Onde so chegas se quiseres mesmo.

Nao ha agua canalizada, nem padre na igreja, nem pressa para nada. Onde os restaurantes sao nas casas de quem la vive, dormes nos seus quintais e a praia e so para ti.

Nada no mundo e igual a Mangue Seco.

Um dia vamos falar do paraiso.

7.11.08

Descer a costa do Brasil




'Não evoluo:viajo.' Fernando Pessoa

Vou ali e já venho.

Ou não.

22.10.08

Damon Albarn



E se, só assim por acaso, eu e a Ana tivessemos acabado de ver o Damon Albarn na nossa rua, sózinho, à entrada de umas das casas vizinhas?

E se ele, só assim por acaso, estivesse a fazer abdominais?

(Clive Owen, Clive Owen...you can run but you can not hide)

20.10.08

london



as the place where everything is nothing and nothing get's to be that much.

18.10.08

Quando Bento XVI foi visto em Braga

15.10.08

T1



Muitos de vós terão recebido um mail meu que pedia informações sobre eventuais T1s que soubessem à venda em Lisboa. Em paralelo a esse mail fiz as minhas diligências junto a agências e a particulares que fui descobrindo pelo caminho.

A saga continua.

Tenho-vos a dizer que, depois de várias visitas a 'imóveis' - o que de si já me causa alguma estranheza porque um imóvel podia bem ser o arquitecto de Cardiff que trabalha à minha frente- tenho um resumo de algumas verdades tidas como absolutas:

- as senhoras das imobiliárias regra geral são muito simpáticas e com um certo ar maternal. Estão sempre deliciadas com o 'imóvel' em questão. 'Fresquinho' para definir tijoleira, 'acolhedor' para definir um espaço pequeno e 'minimalista' para qualquer divisão pintada de branco.

- há muitos vendedores online que acreditam que a foto de um lavatório é, por si só, identificadora de um 'imóvel'.

- a orientação de um 'imóvel' é SEMPRE Nascente-Poente. Não percam tempo com esta pergunta.

- o estacionamento é SEMPRE fácil. Não percam tempo com esta pergunta.

- pátio,logradouro,terraço e saguão são sinónimos, não sejam teimosos com questões pouco relevantes.

- se, como eu, tiverem cara de miúda/o levem o vosso pai/mãe para dar aquele ar de que não estão nada de acordo com a prematura saída do ninho. Os meus já vão treinados e ao primeiro sinal largam observações tipo vais-sair-de-uma-casa-tão-boa-para-te-meteres-neste-antro. Se viverem fora, e tiverem mais que fazer quando vão a Lisboa, o vosso tempo é precioso.

- preparem-se para desafios matemáticos tipo : T1+1

- todos têm esse luxo ultra moderno chamado isolamento térmico. Algumas têm - 'tchan-tchan-tchan-tchan' -isolamento acústico. Algumas até o último grito de construção anti-sísmica. Estes vendedores sabem bem ver que o amor está nos detalhes.

10.10.08

Borboleta, a grande volta de Manuel Cruz

Borboleta - Foge Foge Bandido

GENIAL, BOLAS ISTO É GENIAL....

e eu largar eu sinto a sua falta

se eu agarro ela perde a côr
ela não é dos meus dedos
é dos meus medos
e faço-me passar por uma flor
tento imaginar o que ela diz
à espera de aprender

à face da rua existe a rua
mas não é tua à margem da estrada não há nada
mas já te agrada
tu és o teu mundo
tu és o teu fundo
tu és o teu poço
és o teu pior almoço
és a pulga na balança
és a mãe dessa criança
és o mal
és o bem
és o dia que não vem

agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA

vê que o meu coração ainda salta
quer e julga ser capaz
não o faça por meus medos
faça nos dedos
e eu fico para ver o que ele faz
sem imaginar o que eu não fiz
à espera de viver

à face da chama existe a fama
mas não te ama à margem do nada não há estrada
já não te agrada
tu és o teu preço
és a tua glória
tu és o teu medo
és a parte má da história
vê que o sol ainda brilha
ainda tem por onde arder
não é mau
não é bom
são razões para viver

agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA

se eu largar
eu vou sentir a sua falta

tu és tu sempre que tu és
és mesmo tu quando pensas que és outra coisa
e tu pensas que não mas tu és mesmo bom a ser sempre quem és

daí o teu motivo ser inapagável
daí o teu desejo ser incontornável
o prazer é tão maleável
daí o seu valor ser inestimável

a razão de existir um poeta é

9.10.08

Foto de Danny Mollohan -Beneath the Neon




Aqui vai um texto, que encontrei num blog do Publico chamado 'Um bife mal passado' escrito por Alex Ellis, Embaixador Britanico em Portugal.

Achei uma delicia so possivel vir de um ingles.

Brandos costumes

A festa está a começar. Os primeiros convidados vão entrando, parando para escrever os nomes no grande livro vermelho. Estou à espera deles no jardim; viro-me para saudar as duas primeiras Senhoras que chegaram. Elas aproximam-se. Estou tranquilo, descontraido.

Mas, de repente, tudo muda; começo a suar, o meu coração bate desenfreadamente(e que estou mesmo a imaginar isto), o meu cérebro está um caos. Porquê? Porque surge do nada uma pergunta à qual NUNCA tenho a resposta certa; um beijo ou dois?

Para o leitor português isto pode parecer ridículo; ou porque sabe a resposta sem pensar, ou porque a resposta é considerada irrelevante. Mas eu não sei a resposta e por isso não sei se é irrelevante. Pior ainda; sou britânico; venho de uma ilha onde a contacto físico é encarado com menos naturalidade do que cá . É verdade, tentamos fingir que estamos mais "continentais", que além de todos os outros beneficios já importados do outro lado da Mancha, o beijo social faz agora parte do nosso quotidiano. Mas é mentira. Somos, por natureza, reticentes. (E a primeira vez que vejo um ingles a admitir esta grande verdade).

Ultrapassando estas dificuldades genéticas, o meu ponto de partida é "dois". Talvez deva agarrar-me a isso, ser consistente e cumprimentar todas de igual modo. Mas atenção - é a mulher, não o homem, quem decide. Eu tenho que respeitar as regras e não fixá-las. E estou consciente que nas minhas actuais funções a possibilidade de "um" (que antes considerava ser de 5-10%) aumentou para 20-30%, ou ainda mais, depende ndo da ocasião - por exemplo, numa magnífica recepção na Embaixada de Itália a que fui recentemente, comprovei que o "um" foi a regra, não a excepção, e que muito depende da roupa que se veste. Já percebi, por exemplo, que quando me deparo com alguma Senhora que usa roupa com motivos equestres, devo partir para um!(esta achei brilhante!so um ingles e que se sai com uma observacao destas!)

(continua aqui)


E preciso nao ser latino para se poder confessar publicamente algo tao incomodo. Se ha coisa que admiro neste povo e que, por vezes, os leva a possibilidades que outros tantos povos hesitam, e terem uma inegualavel capacidade de 'Beneath the Neon' nao se levarem a serio.

7.10.08



Mais uma expressão inglesa que adoro

6.10.08

Quem diria



No carro ,por Lisboa, no último Sábado e na sequência da conversa que estávamos a ter...

Joana-É verdade, fogo, quem diria

Pausa.

A cantar baixinho:

Guida- 'Quem diria que um dia'

Imediatamente:

Joana- 'voltava a ver Raquel, '

Juntas-' fiquei parado e pouco lhe falei, há quanto tempo não te via, julgei até já ter estancado a hemorragia, mas ao que eu vejo o tempo não passou, como era bom, contar-te o que eu sentia mas vejo que a conversa vai ficar para outro dia, por 'ora só me sai Raquel, Huhuhu'

Pausa.

Juntas-'lindo!'.

25.9.08

Como é que nós chegámos a isto?



Tudo isto é feio, é porco e é mau.

Como é que os nossos destinos podem tanto passar pelo voto de pessoas ignorantes? Ignorantes, não como ofensa.

Ignorantes porque não sabem mesmo. Não têm noção do poder que estão a oferecer a este 'touro com batôn'. Com o McCain a ir para o andar de cima, temos esta senhora com o código da bomba nuclear.

Obama quem?

Devíamos todos poder votar nestas eleições. A meu ver, têm muito mais influência nas nossas vidas que votar para Presidente da República ou da Comissão Europeia.

Nunca o 'There will be blood' me veio tanto à cabeça.

Ciclo-destino



É extra small mas chama-se GIANT. Tem atitude.

E, ao fim do primeiro dia, vos digo que é absolutamente extraordinário viver em Londres com bicicleta.

Porque

a) fiz muito mais coisas hoje de bicicleta que a pé ou de transportes, mas muito mais. Além da independência, poupas dinheiro e tempo de espera.

b)partilhas um universo paralelo num espaço que já estás habituado. É um admirável mundo novo.

c)faz mesmo bem ao espírito. Estão a ver a cena da Meg Ryan de braços abertos na 'Cidade dos Anjos'? É isso.

d)como diz o meu irmão Luís 'fiz desporto' sem dar por isso. Quer dizer, agora estou a dar por isso, mas a pedalar notas pouco.

e) entras para um clã de pessoal louco por isto, e começas a perceber porquê. Tens sempre quem te empurre para potenciares a tua compra. Passas não só a usá-la para transporte mas para dividires mais do teu tempo com amigos. Eu tenho dois muito diferentes mas passados. O Rui como quase profissional -com uma de montanha, toda 'quitada' por ele-e, noutro grupo, a Paula, uma lírica numa 'pasteleira'. A minha é uma GIANT CRS 3.0 WMS XS,híbrida, mistura dos dois tipos.

Se estão a viver em Londres não pensem tanto como eu pensei. É burrice. Vale mesmo a pena. Vejam se as vossas empresas têm o Cycle Scheme. Significa que não só não pagam imposto sobre a bicicleta e acessórios, como a vossa empresa é que compra (até 1500 libras) e vocês pagam durante um ano, descontando imediatamente do salário. Eu nem perto de um terço gastei com tudo: bicicleta, capacete,luz dianteira, luz traseira, cadeado, para lamas e seguro. Se entretanto quiserem sair da empresa por algum motivo, pagam o que falta. Quem regressa, por exemplo, costuma vender e ainda ganha uns trocos.

Depois de me terem roubado a bicicleta na China fiz como nos grandes romances e jurei para nunca mais. Agora decidi dar uma nova oportunidade ao meu ciclo-destino.

22.9.08

Querido Tomás



Marrakech, 16 de Setembro de 2008


Querido Tomás,

Escrevo-te para que não te esqueças do nosso primeiro encontro.

Houve duas coisas que me disseste mal cheguei. Primeiro, que escusava de tentar no dia seguinte, porque tinha sido único, à primeira vista. E a segunda, que não tivesse pressa, era apenas o início de uma longa conversa.

Um amigo sente.

Vinha a tremer, entre a emoção do nosso encontro e a crescente espera, com uma gravidez prolongada, um parto demorado e um atraso da Easyjet.

Mas foi tudo tão simples.

Desculpamo-nos pelo atraso, que ao menos tínhamos coincidido no local combinado e o reconhecimento tinha sido imediato. Talvez porque eras o único num berço e eu a única a entrar num hospital para visitas depois das 10 da noite.

Receei que não soubesses quem era, que estivesses à espera de uma tia diferente, mais morena, mais latina, mais a horas. Mas tu sabias.

Um amigo sabe.

Enquanto falávamos pensei em quando crescia com a tua mãe, o que achávamos que seria o futuro, e o quanto dele se estava a realizar agora. Nas tardes quentes da Cotovia, entre mergulhos e histórias inenarráveis,pactos inquebráveis e segredos eternos, em que o tudo ainda nada, era falado com a certeza de quem sabia que seria assim. Só podia ser assim.

E tínhamos razão.

Vou-me lembrar de te dar razão aos sonhos, quando lá chegares, nas mesmas tardes quentes, na mesma Cotovia.

Beijinho à esquimó

20.9.08

Hammam



Quando estiverem em Marrocos, visitem um Hammam.

Ao contrário dos SPAs e casas de massagens por onde tenho andado neste mundo, um Hammam não é para meninos. São banhos públicos. Enganem-se os que pensam que estão ali para ter experiências relaxantes: um Hammam é para limpar.

0)Primeiro que tudo, mulheres para um lado e homens para o outro. Não há cá pão para malucos, que os muçulmanos gostam da sua dama a cheirar a sabonete preto, mas só para seu próprio júbilo.

1)Uma vez lá dentro anda tudo sem véu. Bem, na verdade, anda tudo sem nada.À vontadinha. Eu tenho um mau relacionamento com muito mulher confortavelmente junta e sem roupa. Experiências do passado na China deixaram-me traumas que me dão gónias só de pensar e obrigar-me-iam a um blog só dedicado à causa para me purgar deste problema. Adiante, que aqui até nem é tão mal, dado que eu não percebo o que elas dizem, e está um nevoeiro tal que mal distingo seja o que fôr.

2)Mandam-me para uma espécie de iglô, cheio de buracos, e quando dou por mim estou na situação surreal, meio ficção cientifica, entre duas japonesas gémeas, cada uma com mais de um metro quadrado em planta. Mais tarde apercebo-me que não vale a pena ignorar a sua presença porque a) é impossível e b) vão-me acompanhar até ao fim da aventura.

3)Vem então uma marrakichense com um ar atarefado e de quem tem muita mulher ainda para limpar e, sem que lhe peça, prende a banda amarela (de pulso que diz 'livestong' e que agora percebo que serve para distinguir o que cada uma de nós foi fazer) no meu cabelo. Depois pega num balde e atira-me doses continuas de tupperwares de água morna para as costas. É agradável, não fosse a recente exposição no Science Museum sobre plásticos, e teria sido ainda mais.

4)Depois vem o sabão preto. Doses industriais dele. E mais uma sessão japonesa-guida-japonesa.

5)Depois atiram-me para uma cama de massagens com bastante óleo no meio de outras duas camas, com uma japonesa gémea cada. A massagem corre bem. Corre lindamente. A senhora só diz 'very good, very good' e ri-se. Acho que é a perguntar-me se é 'muito bom' e digo sempre que sim 'merci' e tal. Isto sim, é National Geographic! De entre os buracos vem uma música marroquina que acredito ser irregular e agradável quando estou a ser massajada- chego a pensar que há um senhor a tocar em cima da cobertura do iglô e que a música passa dançando nos buracos- mas quando volto ao meu estado normal dou-me conta que a música é afinal regular e vem de uma aparelhagem que está a precisar, ela sim, de limpeza.

6)Depois ala para cima de um plástico, que a minha massagista, vai passar à fase das algas. Para vocês perceberem o ambiente, parece-me tudo revestido a mosaico branco 30x30cm tipo peixaria com junta suja e, no ar, está um cheiro a fénico típico das águas marroquinas. Tudo tem um ar escorregadio:água, óleo, vapor, algas. Depois enrola-me num celofane gigante tipo salame e deixa-me à mercê das asiáticas, também elas embrulhadas, durante uns 20 minutos. Sai dizendo apenas 'sleep'. Não prego o olho e começo a ficar com um calor doido mas não me posso mexer, não sei japonês e não passa ali mais ninguém. Adormeço.

7) Quando acordo ela volta a perguntar 'very good' e manda-me para o duche.

8) Agradeço ter saído purificada daquela forma.

Quando volto à rua nem quero acreditar que deixei para trás a minha pulseira do pé. Costumo pôr uma no primeiro dia de férias e só a tiro no fim.

Bate certo, sem dar por mim, estou prestes a voltar para Londres. Adorei Marrocos.

9.9.08

Londres




Paris é tudo, sem dúvida. Mas Londres tem algo que Paris não tem. Chama-se inserção.

Não raras vezes os amigos que cá vieram voltaram espantados para Portugal porque, ao contrário do que pensavam, se sentiram numa cidade alcatifada. Onde é cómodo estar.

Isto acontece porque em Londres nos sentimos em casa. Seja a nossa ideia de casa na China, ou no Vaticano. Há pessoas de todo o mundo em todo o lado, a toda a hora.

Para terem uma ideia, é obrigatório haver habitação social em todos os bairros, Chelsea e Primerose Hill incluídos. Assim como não é permitida a licença de habitação a condomínios de luxo que não tenham apartamentos para pessoas com rendimentos baixos.

Não há melhor exemplo da importância da inserção social em Londres do que olhar para a lista de revisões a fazer num projecto meu e encontrar ' garantir que a casa de banho da escola não está virada para Meca'.

17.8.08

E vulgar mas e de chorar a rir





Os melhores cartoes de Londres estao aqui

3.8.08

Wall E



Não sei se já chegou aí mas, se puderem, vão ver. É uma história de amor sim, mas é principalmente uma história muito bem contada. Cheia de mensagens misturadas com entretenimento, com expressão, com uma música deliciosa e envolvente.

Para mim a melhor cena é a que define dançar.

Fica provado que a dança é ao mesmo tempo uma espécie de argamassa e filtro biológico.

Une naturalmente. Ao mesmo tempo que faz a triagem entre amizade e atracção, entre a aparência e realidade.

A prova que dançar é libertador é a ironia da cena cliché de quando se acendem as luzes na última música de uma noite longa e as pessoas que antes estavam juntas num mundo paralelo ficam visivelmente atrapalhadas. Como se o medicamento tivesse expirado o efeito.

Ouçam com atenção a música 'Define dancing' que é um hino à elegância.

2.8.08

19.7.08




Eu sou uma égua. Caminho sozinha por planícies labirínticas e tenho vento a soprar-me na cara, sempre que acelero a trote.

Sou uma égua porque cedo criei uma alergia a raízes e facilmente me canso, me irrito e me vingo de tudo o que me prenda o futuro e me faça julgar que coisas certas são requisitos mínimos para a felicidade.

A felicidade da égua vem da delicadeza do andar e da dança dos seus músculos. Sem isto não é égua.

Caminha relaxada, mas dança a energia eléctrica. Dança,dança,dança. Fecha os olhos e dança, dança,dança. Quando lava um copo dança, quando poisa algo dança, quando vira uma chave dança, quando carrega em teclas dança. Os dedos dançam, o pulso dança, o braço todo dança e finalmente a alma dança.

Londres dança e Lisboa dança.

E a menina também dança.

17.7.08

Suicide Bunnys



Absolutamente Genial. Cá em casa somos fãs.

Não sei se há em Portugal. Cá há por todo o lado, deve ser possível encomendar na Amazon.

13.7.08

A minha carcaça



A minha carcaça sofreu uma virose tramada.

Decidiu ressentir-se de uma vida rápida.

Atirou-me para a cama na Segunda,e na Terça pôs-se a dormir 4 dias seguidos.

Já me tinha feito uma destas na China. Lá puseram-me a soro, aqui puseram-me a sono.

Dizia a italiana para quem trabalhava em Xangai que sou de um cristal duro. Aqui sou um ´tough cookie´.

Agora a mão que escreve e a mão que pensa o que escrever estão de novo em sintonia.

Let´s go guys.

25.6.08

Ainda



Ainda bem que há inglesas revoltadas com os namorados, para imaginarem músicas que me fazem dançar em cima da cama.

17.6.08

De volta



No próximo fim de semana,depois de quase um ano, estou de volta ao mar.

Vão ser dois dias numa regata pela Isle of Wight. Caça cabo, recolhe defensas, verifica GPS.

A contar os dias.

Li



Li ha uns anos um texto do Sartre que dizia que cada pessoa pensa em si como um jovem adulto.

Pensei que era verdade.

Aos 5 anos cheguei a mesa e anunciei aos meus pais que me tinha inscrito no ballet. Do alto dos meus 90cm expliquei que tinha ouvido alguem a dizer que as inscricoes estavam abertas, e tinha ido a secretaria tratar de tudo. Andei 10 anos no ballet.

Isto aconteceu, seguramente, porque na minha cabeca eu tinha 27 anos. Assim como quando aos 21 fui viver com o meu namorado ou aos 24 disse que ia para a China. Tive sempre 27.

Mas agora chegou a altura. E nao me vejo como uma jovem adulta coisa nenhuma. Sou antes uma multidao. Uma loira burra, misturada com um padeiro imigrante na Suica, com uma velha beata de Massama,e um pouco de marinheiro de pele queimada e voz de bagaco, mais uma crianca mimada a bater o pe, e outra electrica a contar os dias para as ferias. Sou uma prostituta fina chinesa atacada pelo opio e quase ao mesmo tempo uma nervosa e timida noiva vietnamita.

O Sartre que nao me venha com historias.Sou o que conheco e nao a minha idade.

27.5.08

De Chillida



Um dia gostava de escrever uma história sobre uma pessoa desprovida de sentimentos. Com sensações mas sem sentimentos. Uma pessoa que jamais se sentisse feliz ou triste, mas que sentisse cansaço ou a satisfação de uma fatia do bolo de morangos do Fruta Almeidas. Quero eu dizer. Não o gozo do paladar mas o saciar da fome.Satisfação por não querer comer mais.

Isto porque eu acho que desde que vim para Londres já conheci várias pessoas assim. Creio que, enquanto as sensações são inatas, os sentimentos se treinam. Eu sinto-me feliz agora mas posso respirar sem ter que sentir literalmente nada.Como se o corpo fosse um balão cheio de ar.Como se fosse de betão armado. Como dizem os brasileiros, de concreto armado. Um corpo concreto.Ou até uma instalação do Chillida,para ser uma referência mais bonita.Mas então seria isso mesmo. Um corpo frio, sem borboletas na barriga. Já não seria a velha história de uma personagem profunda que pensa profundamente. Nada disso. Comeria,trabalharia,dormiria. Mas não dançaria um passo,nem desenharia uma linha.

Parece que estou a ver. Um tal Bruce de Kensington, escanzeladinho, com um colete de malha aos losângulos, a suar por estar atrasado. Careca e com óculos à Corbusier. A atravessar a London Bridge. Não esperem. Não podia ser óculos à Corbu porque isso ditaria um sentimento, a admiração a alguém. Esqueçam, teria óculos com aros finos que não pesassem na cana do nariz. Sensação de dor, lá está. Isso mesmo. O encontro dar-se-ia numa Terça à tarde. Lá pelas quatro. Ela seria vesga,muito simpática, mas vesga, coitadinha. Quer dizer, eu que escrevo acho que é uma coitadinha, o Bruce só quer saber dela para saber se está na direcção certa.Só isso, se o Borough Market é para ali. Assim algo muito tás,tás. Sabes,sabes, não sabes,foste.

Ai que delícia, dar a volta a uma história torta com uma vesga e um homem frio.

É engraçado, agora que me lembro. Quando estava em Boston conheci uma loja de brinquedos que só vendia ursos de pelúcia. Imensos de todas as cores e tamanhos.E funciona assim. A criança entra e compra a pele de pelúcia. Há imensas à escolha.Depois ela mesma enche a pele com espuma e ,dentro dela, no peito, põe-lhe um coração. É assim que ele nasce.

22.5.08

As we speak

Esta um senhor sozinho plantado do outro lado do canal, a tocar saxofone. O atelier esta todo calado.

110 almas a trabalhar nas nuvens.

E a Primavera, so pode!

21.5.08

Beijem




Gosto de beijos. Mesmo. Mais que duas bocas é o espaço entre elas.O negativo, a respiração e o cheiro.A tensão, a textura da pele,a temperatura da pele e os olhos.A fechar para melhor abrir. O mais a ser menos porque quanto mais beijas a menos te sabe. A respiração e a apropriação de outro corpo, de outra mão, de uma peça quente. O traço da boca. As rugas de quem ri e decorar os sinais do outro. Provar os sinais do outro. Brincar com os sinais de outro.E investir outra vez na boca e em tudo o que vem antes dela. Tudo incluído, o pacote todo.Começar de novo uma e outra vez. Com frio à porta de um cinema, na praia a saber a 'perna-de-pau' e com areia pelo meio. Com o cabelo curto a ir para os olhos, o comprido a ir para a boca. E recomeçar de novo uma e outra vez.

Todos sabemos o que são horas a beijar alguém. Mas a beijar mesmo,como gente grande.

Esta conversa vem, não porque esteja apaixonada, mas por uma outra conversa que ouvi. Aliás, tenho ouvido muito conversas do Carlos Vaz Marques, entrevistador na TSF, com esse delicioso programa 'Pessoal e Transmissível'.Todas as semanas, em podcast, o oiço religiosamente enquanto bebo o meu Skinny Decaf Capuccino, antes do trabalho.

Esta conversa vem, não porque alguém a tenha desenvolvido no programa, mas apenas por uma frase que o Manoel de Oliveira disse,com muita razão, referindo-se aos actores da nova geração que

"(...) beijam como se estivessem a comer um pudim!"

E por causa disso, e porque o Nelinho ainda não deve ter visto o 'My Blueberry Nights' do Kar Wai Wong, aconselho-vos a provar um pouco de o beijo de alguém, sem saírem do vosso lugar. Com este castiço realizador a gozar connosco quando decide alternar a cena do beijo com uma cena de a nata a espalhar-se na tarte.

Therefore, beijem muito, que é Primavera.

E, como o Gil Vicente dizia, é "quando o sangue novo atiça!"

(e chega de citações por hoje!)

6.5.08

Nova Iorque



Só ao terceiro dia é que gostei de Nova Iorque.E hoje, passada mais de uma semana, tenho a certeza que a viver em outra cidade que não Londres ou Lisboa, só mesmo aqui. Em downtown Manhattan, ali entre Greenvillage e Nolita.

Estava à espera de entrar de rompante nesta relação. Achava que ia adorar Nova Iorque ao primeiro contacto.Só que o meu primeiro contacto foi debaixo de chuva na Penn Station que é, provavelmente, dos sítios mais feios que estive na vida.Com coxos e prostitutas a dominar a área,numa cave de tecto baixo e claustrofóbico. O hotel onde ficámos a dormir nas primeiras noites era em plena Times Square. Tive a sensação de estar dentro da Disneylândia para adultos.A ver aqueles humanos minúsculos em pleno pecado de luxúria. Não gostei mesmo nada.E depois foi mais um dia a chover, sem parar. E como acabei por ver o que queria mais no centro, parecia que estava numa cave o tempo todo. Com gente muito esquisita, sem distância social, a falar muito alto. Cheguei ao cúmulo de me ter enganado na entrada do metro (que aqui há entradas de rua diferentes consoante a direcção) e de ter tido a conversa mais aberrante com a senhora da estação.Depois de ter corrigido o erro e ter tentado passar o bilhete de novo na entrada certa a máquina bloqueou. Fui falar com a responsável pela estação, a arranjar as unhas ao som de hip hop dentro da cábine. Quando pedi ajuda disse-me ‘O quê? Estava-me a perguntar o que é que a senhora deve fazer?’. Pensei, ´não estou a ouvir bem.´E disse ‘Sim, se não se importasse ´Como é óbvio a senhora agora tem de esperar de 17-19 minutos até a máquina funcionar de novo’. Reestruturei a minha viagem com a intenção de sair do fundo deste poço.Ia voltar para o quentinho de Boston ou alugar um carro e ir para outra cidade. Mas ainda havia uns projectos para ver.



Foi assim que quarta-feira vi um dos edifícios mais loucos da minha vida.Na caminhada pelo Inferno, fingi não temer pelos meus rins e explorar esse bairro hospitaleiro que dá pelo nome de Brooklyn. Como única caucasiana na região, deparei-me com todo o Grand Theft Auto,o melhor treino de cidadania que a Sony inventou.Um parque automóvel dos anos 70,amigos com lenços na cabeça, sem grande descrição e sempre em grupo,muita música ritmada e janelas com cortinas de tijolo. Pensei nessa maratona tramada que é a vida de um arquitecto e segui em frente. E depois segui mais um bocado, e mais outro bocado, que o futuro Museu das Crianças de Brooklyn havia de ser mesmo no fim de tudo. Viñoli de um raio! Mas depois deu-se um efeito que acredito que quem realmente vibra com espaço, já viveu. Passei-me.Mesmo.É que é mesmo um museu para crianças, meio infantil,meio imaginação, mas sem ser autista, porque faz todo sentido no bairro em que está.No espaço em que está.Não podia ser em mais sítio nenhum no mundo. É de amarelo vivo, num quarteirão tristonho.É fluído, no meio de perpendiculares.Até os vãos são redondos, como de submarinos,e distribuídos como uma criança faria.É tudo.Mas não me vou estender que ficaria aborrecido. Só para dizer que às vezes vale a pena esta maratona. Mudou a minha perspectiva de Nova Iorque, que está cheia desta pérolas escondidas. E a partir daí começou mesmo a minha viagem.

29.4.08

Testamento de Boston



Há qualquer coisa nos Estados Unidos que eu conheço, que acho confortável. Deve ser o cheiro a baunilha, porque para mim isto cheira sempre tudo a baunilha.Deve ser a minha família cá. Com casas com alcatifa imaculada. Casas de banho compactas e cozinhas no meio da sala. Um jardim à frente e atrás. À volta também. Deve ser por andar tanto de carro e parar em lojas que são casas por si só. É de certeza do Dunkin’ Donuts, que Londres, Xangai, Valladolid e Lisboa sempre teimaram em me privar. É o merchandising como personalidade comunitária. É por usar mais maquilhagem aqui e pintar as unhas de sangue de boi, achar piada aos brilhos e folhos.É por sentir que me olham como Europa e por me perguntarem o que fazemos por lá. Não acreditam quando digo que sou vizinha da Amy Winehouse e que jantamos fora tantas vezes e a horas praticamente pornográficas.Dizem que tenho pronúncia londrina até quando falo português. Gosto disto. Sinto-me confortável aqui.Porquê?Casa,Comunidade,Igualdade.


Casa
Como arquitecta sou especialmente sensível à relação dos americanos com os espaços.Especialmente a própria casa.Where I come from, as casas são iguais até morrermos. Quanto muito substituímos um sofá quando ele já está muito coçadinho. Temos uma visão muito mesquinha no que toca ao nosso espaço. Mudamos com muito esforço. Uma casa é para a vida.E muitas vezes para a vida dos outros. A casa não é nossa. Tenho uma antiga e profunda alergia às casinhas portuguesas arranjadinhas,a cheirar a óleo de cedro e com armários de vidro com colecções de animais de cristal. Gosto de estantes de livros desarrumados na cozinha e na casa de banho, com a sala a cheirar a café.O quarto com os meus lenços pendurados no fundo da cama e andar por toda a casa como se estivesse só no meu quarto.
Os americanos gozam a casa. Mas não brincam,gozam mesmo. Tiram, partem, colam,põe parede, sobe mais um piso,substitui o miolo da casa de banho. Está sempre tudo impecável, não há cá móveis ratados ou serviços de jantar com cantinhos colados. Tudo impecável. O que não quer dizer neuróticamente arrumadinho. Mudam a casa como quem muda de espírito. Juntam uns amigos, compram umas cervejas,vão ao supermercado comprar bocados de casa e montam tudo em dois dias. Uma casa inteira em dois meses. Pá, mas não gosto desta sala.Manda-se abaixo!São maquetes vivas testadas em tempo real. Sabem imenso de construção. Têm uma excelente noção de escala. E de um dia para o outro,sem qualquer hesitação,vão viver para outro Estado. E com isto mudam de clima, geografia, tipo de construção. Nova vida,nova casa. Back to square one,sem stress!Thumbs up.


Comunidade
Vamos assumir que os americanos são uns falsos moralistas.É verdade. Vizinhos com vizinhas,patrões com empregadas,professoras com alunos, ao mesmo tempo que vivem o teatro da família perfeita.Isto é verdade. Nós na Europa ao menos não temos medo de dizer ao mundo que afinal com quem casámos não é a pessoa certa, com a dor social que isto traz, e siga para a frente que a vida é só uma..Aqui não.E creio que tem a ver com a limitação geográfica dos Estados Unidos, que os obriga a viver num casulo.70% dos americanos não têm passaporte, e não é frequente sairem do seu Estado.
Having said that, devo admitir que adoro o espírito comunitário, embora opressor. Gosto imenso desse sentimento de pertencer a um grupo que tem apenas uma coisa em comum. Ou o bairro, ou a equipa de baseball, ou um ‘bookclub’, ou gosto por Tupperwares.Seja o que fôr. Eles são bons nisso. Claro que depois dá disparate. Mas o princípio é de partilha e de identificação. Vibrar pelo que é nosso.Gosto mesmo disso.


Igualdade
Uma das coisas que mais me impressionou quando cá vim há 7 anos foi uma conversa que tive num jantar de família. Tinha acabado de conhecer uma nova aquisição.Uma americana que tinha casado há pouco tempo com um primo meu. Já não me lembro o que faz mas estávamos a falar de trabalho. ‘Então o que é que tu fazes?’, ‘Ah, eu estou na universidade a estudar para ser arquitecta’.’Uau, e o teu irmão?’.’O meu irmão é advogado’.Ficou parva.’Bem miúda, que grandes ambições!’. Fiquei a pensar naquilo. Depois comecei a viajar e a fazer perguntas, e juntei as peças. É que nos Estados Unidos, e ainda não conheci outro país que fosse assim e, infelizmente Portugal, é exactamente o oposto, uma pessoa pode ser o que quiser, e ser reconhecida por isso. Só tens de ter um ´skill´.És cabeleireira, és carpinteiro,mecânico, seja o que fôr. Se fores bom no que fazes a tua comunidade acolhe-te tal e qual como um juíz ou um médico. Estudares mais não faz de ti um membro melhor da comunidade. Seres bom é que faz. Gosto muito deste princípio.


Claro que depois há uma série de outras razões que me fazem não viver aqui. A futilidade, a ignorância, a obsessão pela aparência, a distância ao mundo, o diagnóstico pelo imediato.




Últimas notas sobre Boston,porque amanhã já é NYC.

-Toda a gente mete conversa contigo.Em todo lado, a toda a hora.
-É muito difícil encontrar comida saudável.A única que há disponível em todo o lado é fruta.Há muitos americanos que não comem peixe.Só em sushi,já cortado.
-A televisão só apresenta reality shows. Do mais básico e aborrecido que se imagine.Os telejornais não falam de Europa. O mundo é o Iraque.A televisão faz o papel de um cão.É companhia.
-Red Sox é uma doença. E contagiosa.
-Poucos projectos novos desde há 7 anos.A cidade em si mudou muito pouco.Dos imperdíveis, no topo: Institute of Contemporany Art of Boston -da Diller e do Scofidio.

Além, obviamente, do Carpenter Center do Corbu,da residência MIT do Aalto e do Museu Kennedy do Pei.
-Não há imposto sobre a roupa.
-Uma viagem de comboio custa mais que de avião.
-Grande parte dos Dunkin’ Donuts de Boston pertencem a portugueses. Conheci um senhor que tinha mais de 100.(Nota:Já tinha 70 anos,senão casava-me amanhã com ele)
-Tudo o que é oficial está traduzido para espanhol.

27.4.08

It's like so awesome!



Pessoal,estou em Boston.

E depois da ultima quinta-feira,13.30 da tarde,sou do Red Sox desde pequenina.

21.4.08

Mal posso acreditar!



Olhem o que acabou de aterrar na secretaria!

18.4.08

Vamos lá então



Um mês seria: Junho
Um dia da semana: 6ªF
Um número: 3
Um planeta: Vénus
Uma direcção:Flat 6,36 Arlington Road NW1 7HU
Um móvel: uma arca
Um liquido: vinho
Um pecado: qualquer um
Uma pedra: ardósia
Um metal: aço inox polido
Uma árvore: o pinheiro de Sesimbra
Uma fruta: morangos
Uma flor: branca
Um clima: ameno
Um instrumento musical: piano
Um elemento: ar
Uma cor: verde
Um animal: égua
Um som: gargalhada
Uma canção: 'Heart and Soul' versão Livingstone Taylor
Um perfume:
Um sentimento: Fé
Um livro: O Fio da Navalha
Uma comida: aquele japonês do Soho
Um lugar: sofá da sala de Camden
Um gosto: chocolate de avelã do Hotel Chocolat
Um cheiro: o do meu perfume
Uma palavra: ironmongery
Um verbo: dar
Um objecto: caneta ponta fina
Uma peça de roupa: bikini preto
Uma parte do corpo: fundo das costas
Uma expressão: 'Not a sausage'
Um filme: Cinema Paraíso
Uma forma:parva
Uma estação: Primavera
Uma frase: ultimamente 'Sê a mudança que queres ver no mundo' Ghandi.


Para continuar a corrente deve-se pedir a mais bloggers que preencham o questionário nos seus blogs.Mas os poucos bloggers que conheço já responderam. Por isso, se estiverem para aí virados, gostava de saber a mais importante resposta pessoal de quem ler este post.

16.4.08

Lenço de fogo




De manhã decidi levar ao pescoço um lenço de fogo. Comprei-o há tempos no Cambodja e usei-o hoje pela primeira vez em Londres. Desde logo foi difícil colocá-lo ao pescoço. Não pelo lenço em si mas porque, com a diferença de temperatura, comecei o dia com uma atitude bipolar. Frio nos pés e a cabeça quente. Mil vezes teria preferido pés quentes e cabeça fria.Mas eu levei foi um lenço de fogo, não foram umas meias. Que no Cambodja ninguém usa meias.

Na rua as opiniões dividiam-se entre risos amedrontados da memória recente de Camden e inveja por não precisar de casaco. E chegada ao atelier, a reunião da manhã foi com fornecedores de estores, todos três ingleses, e por isso, todos três evitaram o assunto e fingiram que não viram.E eu também achei por bem não trocar a conversa de treta por um assunto de fundo éticamente discutível como é o uso de lenço em locais de trabalho.

Voltei para o estirador e não imprimi nada durante todo o dia. Que ultimamente não ando a ver bem ao perto.

Depois uma conferência dos Arquitectos Sem Fronteiras na Bartlett sobre a exploração do Terceiro Mundo, e eu a tentar disfarçar, quando óbviamente toda a sala sabia de onde aquele lenço vinha, que eu não me pusesse com fitas. Não neguei, saí de fininho quando a sala estava escura.

E foi já de regresso a casa, com o sol a pôr-se em Londres, que parado no semáforo em frente ao Koko,um rapaz alto, de phones e mãos nos bolsos, olhou desconexo para mim,entre carros e bicicletas e, juro, se não foi pareceu mesmo, que o mundo congelou e lhe li nos lábios distraídos: 'you're hot'.

Agora que vejo é só um lenço amarelo e está até caído indiferente aos pés da minha cama. Mas há dias assim, em que Londres nos faz gozar dessa propriedade humana que é sermos um outro.

12.4.08

Alguém salve a minha vizinha



que isto é bom que dói!

10.4.08

puta,puta,puta



Para mim, falar de forma clara é uma questão de boas maneiras.

A gosta de B
C cresce mais que D
e E morreu.

Não te digo mais do que precisas saber. Não te faço perder tempo.

E também não acho que seja um desvio de inteligência. Conheço pessoas limitadas que são mais educadas que cabeças fora de série.

Há palavras piores que 'puta'. Principalmente advérbios. Tornam as conversas ordinárias, a roçar o pornográfico.Efectivamente.

Ou duas palavras seguidas que queiram dizer a mesma coisa. Só as diz quem sabe que querem dizer o mesmo. E esses filhos da mãe usam-nas umas a seguir a outras. Têm necessariamente que ser pessoas vulgares.

Puta,puta,puta.É não ter medo das palavras,especialmente as curtas, com menos de 5 letras. Ralo,rato,rabo. São palavras que magoam. Mas um rabo é quase sempre rabinho. Porque arranha,magoa e fere.

Estão a ver, acabei de vos ofender.Arranha,magoa e fere.

E isto tudo porquê? Porque os ingleses, com esta mania das educações, são o mais ordinário dos povos. Não dizem nada do que querem dizer e fazem-nos perder um tempo desgraçado.

'Hopefully', 'Apparently' , 'Would' em vez de 'Will' e 'Could' em vez de 'Can'.

Ainda hei-de fazer um texto só com palavras com menos de 5 letras. E em inglês. God damn it!

3.4.08

Os dados estao lancados




Um dos livros mais importantes da minha vida foi para o cemiterio dos livros esquecidos. Quem leu a 'Sombra do Vento' sabe o que digo. E e um luto que nao consigo ultrapassar.

Quem souber onde posso arranja-lo ( e nao vai ser facil porque ando ha anos atras dele-Editorial Presenca 1983) morre feliz.


Olham-se e dançam em silêncio por um momento.

- Diga-me - pergunta Pedro de repente -, o que é que se passa? Não pensava senão nos meus aborrecimentos há bocado e agora estou aqui. Danço e não vejo senão o seu sorriso... Se isto fosse a morte...
- Isto?
- Sim, dançar consigo sempre, só a ver a si, esquecer tudo o resto...
- E depois?
- A morte valia mais que a vida. Não acha?
- Aperte-me com força - diz ela baixinho.
Os rostos estão muito perto um do outro. Dançam ainda um instante e ela repete:
- Aperte-me com mais força...
Bruscamente, o rosto de Pedro entristece-se. Pára de dançar, afasta-se um pouco de Eva e exclama:
- É uma comédia. Nem sequer cheguei a tocar a sua cintura...


[in Sartre, Jean-Paul, Os dados estão lançados, Ed. Presença, 1983, pp 72-73]

31.3.08

Lisboa



Tento sempre ir a Lisboa de mes a mes, ou de 6 em 6 semanas. Preciso de sentir que ainda lhe pertenco e nao quero acordar um dia a pensar que os meus amigos desapareceram e que a minha familia nao me reconhece.

Ja passei por varias fases, dado que ha ja algum tempo que sou imigrante.

Quando cheguei a Londres, e depois da experiencia China, ir a Lisboa significava percorrer as capelinhas todas. Todos os amigos, todos os parentes. Chegava a Londres cansada e Portugal parecia cada vez mais longe. Porque ir la era ter de explicar mil vezes as mesmas coisas e dar mil vezes as mesmas respostas. Sempre feliz por isso, claro. Mas significava que nao era natural.

Depois adaptei outra tactica. Nao avisava ninguem. Aparecia quando aparecia e quem estivesse estava. Mas depois achava que aproveitava mal a ida porque havia pessoas que ficavam por ver e conversas por ter.

Agora ja tenho rotinas tipicas quando vou, mesmo que seja sempre diferente.

Ao contrario do que aconteceu das outras vezes, da ultima custou-me voltar. Nao foi nada de concreto, foi assim,naturalmente. Como estou sempre a descobrir sinais novos na minha pele, foi mais um. Foi acordar e 'olha, esta mesmo a custar-me voltar a Londres'.

Por isso agora estou sem tactica. E estou sem pensar. Acredito que o que tera de ser, acontece naturalmente.

Londres ainda e muito a minha casa,claro.Tenho muito para viver ca ainda.

Mas vi que um dia vou acordar e aperceber-me baixinho 'olha que engracado,vou voltar para Lisboa'.

14.3.08

Almoços de quintas-feiras III


Eu quando morrer vou ficar aborrecida. Não por a morte em si ser aborrecida.Imagine-se por exemplo uma morte de quem se atira de uma montanha lindíssima, ou quem morre numa noite de paixão.

Ficarei aborrecida por ficar fora de jogo.

Eu adoro jogar.

Cozinhar para 110 pessoas, dentro do orçamento, a horas e com sabor. Isto faz parte do jogo. És capaz ou não? Mas nunca fiz isto, nenhum amigo fez,tenho medo que não gostem, e ainda para mais para pessoas a quem tens de dar provas todos os dias, de outras culturas, e 110, onze grupinhos de 10 pessoas, numa fila gigante, onde já estive também tantas vezes a morrer de fome. Pá adoro isto. Juro, adoro ser posta à prova.Tenho saudades dos exames, saber que consigo.

Correu muito bem. Mesmo. Recebi parabéns de muita gente. Há muitos que tenho que dar o devido desconto porque sendo ingleses, os parabéns são uma mentira social, prova de educação. Mas há outros que acredito que tenham mesmo gostado. E saiu tudo a tempo. 110 refeições prontas à mesma hora.

Estou muito contente.Pá chefe aí do andar de cima, manda-me mais desafios destes.

12.3.08

Almoco das quintas-feiras II




Sopa de cebola com queijo

peito de frango com cogumelos e couscous marroquino

mousse de manga


60 cebolas
30 batatas
8 latas de polpa de manga
8 latas de leite condensado
4 litros de iogurte natural
1 kilo de queijo emmental ralado
125 peitos de frango
12 pacotes de sopa de cogumelo
2 litros de natas
5 kilos de couscous
1 kilo de amendoas raladas
1 kilo de passas
1 litro de azeite
5 frascos de salsa picada
8 latas de grao
8 paes ( de 4 variedades diferentes)


-nao dava para fazer tipico portugues porque as 200 libras nao chegavam.
-hoje vou ter a Ana, o Guimas e dois amigos do atelier a darem 8 maozinhas.precious!
-amanha de manha nao trabalho.
-hoje pretendo deixar feita a sopa de cebola e o couscous.Amanha e o frango, mousse de manga e cortar o pao.
-mandei vir tudo pela net para me poupar a transportar coisas de um lado para o outro, mas estou com imenso receio pela polpa de manga, que foi dificil de arranjar ca e que se nao tiver para entrega (que so vou saber qd a carrinha chegar!) nao sei bem como substituir.
-por experiencia de mais de um ano a passar pelos almocos de quinta-feira sei que o pior nao e a comida estar ma, porque eu sei que entre 110 ha sempre queM goste e quem nao goste, o pior mesmo e faltar comida.

Wish me luck.

11.3.08

Almoco das quintas-feiras




Se bem se lembram eu disse que no meu atelier, as quintas-feiras, ha uma das pessoas que aqui trabalha que cozinha para as outras. Ou seja, uma que cozinha para 110, mais coisa menos coisa.

Esta quinta-feira e a minha vez.

Ha um ano que sei que esta quinta-feira e a minha vez.

Para terem so um a ideia do que o metodo ingles implica envio-vos agora o mail que recebi,ha um mes, com as regras da preparacao.


Guida, 13 March 2008 is your lunch date - your chance to provide us (about 110 at last count) with lunch - choice of menu is entirely up to you

Budget: £200 (please ask Martin/Gita who will pay this into your account)

SPECIAL DIETS

List of foods some people can’t eat:

cheese or cream: Roger and Arun
meat: Adrie, Bronwen, Katrin, Catherine and Dominique Jackowski
meat or fish.: Arun, Sally, Margaux and Michael
eggs: Michael
pork: Sarrah and Avril
chillies or very hot spices: Frazer and Morella (Brighton)
peppers: Anne-Marie and Morella (Brighton)
rhubarb: David Graham
celery: Rejash
shellfish: Angela, Avril and John
gluten/wheat: Andy Parsons (Brighton), Morella (Brighton) and Anne-Marie
dairy, potatoes (new potatoes ok), sugar, fried food, wine, beer, boiled vegetables (broccoli, cabbage, cauliflower), lettuce: Morella (Brighton)


TIPS: Before shopping, check in the kitchen - there may be tinned food from previous lunches you can still use.

Need some help - try deliaonline.com

Comments on Ovens:
“The ovens are quite tricky to work out. The ground floor one is very quick as it's fan assisted. The lower one is simply weird; much slower and cooks unevenly; the bottom is fast, the top slow. Be careful when cooking your lasagnes.”

If you have any comments, please let me know and I will add them here.


Reminder: Food safety: The aluminium cooking trays are intended for cooking only - so cook food in them immediately. They are not safe for storing food.

(ALSO IMPORTANT - CLEANING UP AFTERWARDS)

You are responsible for ensuring the kitchen and dining room are cleared up afterwards, but there is someone who comes in for an hour or so to help you.


H&S Notice

By the end of Thursdays (17:30) - there should be no sign that there had ever been a Thursday lunch.
• Check that all utensils have been washed, dried and put away.
• Do not leave any left overs for the next day (even in the fridge).
• Never leave food out on any surfaces (mice love it).

2.3.08

Sobrinho/a


A vida é um milagre.

A minha maninha Maria e o João mandaram-me agora a primeira foto dos 3 meses.

Não páro de pensar que a vida é um milagre.

29.2.08

Amy Winehouse



Vamos lá a fazer um resumo então. Estive 3 meses num estúdio em Notting Hill,3 meses a viver num barco em Battersea e 6 meses a dividir uma casa enorme com 3 inglesas, em Camden.

Amanhã é dia de mudar de casa novamente. Vou viver com a Ana, com quem já vivi em Xangai,numa outra zona de Camden.E por isso hoje foi dia de empacotar.Estive a tarde toda a empacotar.

Quando por fim saí de casa vejo um grupo enorme de pessoas, umas em cima das outras, com máquinas em punho e um carro com vidros fumados à porta da casa ao lado.Achei aquilo um disparate e não liguei nenhuma.Pedi licença e passei a multidão.Gente estranha,estes ingleses.

Andei uns metros, vi um senhor a passar multas e decidi perguntar que festival era aquele.

'Ah Miss,isto é sempre assim aqui a esta hora,a Amy está a sair de casa'.

Parou-me a batatinha.

Há gente distraída.Há gente muito distraída. E depois há pessoas que não se explica.

25.2.08

Not good


Assaltaram-nos a casa no Sabado...portateis, ipods, discos externos e perfumes.

Para quem ainda nao conhece, esta casa e impecavel e tem algo de raro em Londres, um excelente design. As janelas da sala sao de cima a baixo. E dao directamente para a rua, num segundo andar. Claro que nao andamos a fazer teatro para quem passa, mas a verdade e que nunca me tinha preocupado em ser observada.

Na tarde de Sabado estive na sala,a trabalhar no computador, ate as 16.30. Altura em que sai para voltar, com a Ana, as 18.00 e encontrar a casa virada ao contrario.

Sabem aqueles Sabados em que dizem 'fixe, para me preparar para uma grande noite hoje a tarde nao vou fazer nada'. Vinhamo-nos a rir nas escadas, a falar na festa que iriamos e a cronometrar os segundos para nos atirarmos cada uma para o seu sofa a ver o 'Atonement'. Sem passar pela casa da partida...


E uma sensacao do caracas. Saber que alguem te controlou, que alguem andou a mexer nas tuas coisas. Fotos pelo chao. Livros. Papeis.

Ja para nao dizer que quando entras nao sabes se ainda esta gente em casa.

Not good.

Pior do que isto tudo foi, sabendo da catrefada de impostos que pago neste pais, pensar que estou a viver pior que no Cambodja. E eu ja la estive. A policia demorou CINCO horas a chegar. A equipa forense ainda nao foi la,e ja passaram quase dois dias.Que e como quem diz que, a menos que nao nos mexamos, as impressoes digitais vao a vida em menos de nada, e viver numa casa virada ao contrario e impraticavel.


Not good.

17.2.08

*****


No ifs, no buts. A melhor interpretação dos últimos tempos.

Aqui estou,quase uma semana depois, a sonhar com os últimos minutos desta obra de arte, como já tinha sonhado vezes sem conta, com o personagem do mesmo Daniel Day Lewis a bater com a faca no seu olho de vidro, em 'Gangs of New York'.

Inveja tenho de quem ainda não viu o filme, e pode passar por tudo o que ele me proporcionou passar, durante quase 3 horas.

Fez-me rir do Mal tanto como me fez doer vê-lo.

God damn it.

12.2.08

Princesa de Camden

Chegou há duas semanas a Princesa Tantan.

Reparem com atenção no vídeo abaixo que a torna, por direito, na bebé mais extraordinária de Camden. E arredores.

Sim, que se continuar com estas brincadeiras rebuscadas nesta zona, será uma sorte não ter uma peruca à Winehouse, e um piercing na língua, já aos 12 meses.

Camden,a freguesia que valoriza o potencial infanto-juvenil.

10.2.08

Incêndio em Camden



Está tudo bem. Foi perto da nossa casa mas não chegou às nossas imediações. Eu, aliás, soube que estava a haver um incêndio em Camden, por Portugal.E só tive noção do que tinha sido quando cheguei a casa de madrugada, e ainda havia um imenso cheiro a queimado,rua cortada e carros de bombeiros por todo o lado.
Tenho receio de passar por lá e ver a quantidade de sítios que costumavamos ir e que foram destruídos.

8.2.08

Amar Lisboa


Bolas, nos últimos tempos, nada me deu tantas saudades de Lisboa, como ler este início de um conto,que tinha escrito num blog antigo, em Outubro de 2005.


'Às vezes achava que se tivesses passado por minha casa depois daquela discussão, aos 16 anos, ainda hoje estaríamos juntos e para longe levaria o vento o homem que me respira. Depois cresci e tive certezas que o tempo apagou, aceitei o certo e fechei os olhos, na esperança que a vida fosse paralela ao azar. Engravidei jovem, acordei velha e nunca mais me lembrei que aos 16 a vida corre doce e a morte está longe. Devia ter sido eu a passar por tua casa, a subir ofegante as escadas para te encontrar triste pela nossa distância. Mas deixei expirar tudo isso e hoje, depois de às 8 em ponto,te ter visto a descer o metro do Chiado com uma criança de bata pela mão, soube que a vida é clara. Nada virá a quem nada deu.'

7.2.08

Enjoy


Hoje seleccionei um conjunto de músicas que ando a ouvir por cá.É a banda sonora da minha vida recente.

The Fratellis-Chelsea Dagger- a dançar no 'Dublin Castle',pub irlandês perto de casa
Amy Winehouse-Valerie- no mercado de Camden,zona dos alfarrabistas
Pulp-Common People- no atelier, a desenhar o alçado da recepção do projecto actual
Pulp- Disco 2000- última sexta-feira à tarde a comprar roupa para sair
The Killers- Read my mind-hoje,num almoço despedida de uma colega, no pub orgânico
Plain White T's-Hey there Delilah-histérica em frente à aparelhagem da casa nova
Joy Division-Love will tear us apart- KOKO,KOKO,KOKO,KOKO,KOKO
The Blood Arm- Suspicious Character-no metro, pelos phones de outra pessoa.

31.1.08

Hoje de manha


Chegar a uma reuniao de 10 ingleses de madrugada, com uma pedra no lugar de cabeca, a conta das drogas que o meu corpo me pede para recuperar de uma gripe.

Cha, nao cha...10 minutinhos de conversa da treta, que este tempo esta mau, a possivel recessao, mercado imobiliario...zas...inicio de reuniao.

Crossfire. Nao consegui participar, foi a primeiro reuniao desde que cheguei que nao abri a boca. Pedrada e no meio da mesa, sentia-me na final entre Federer e Nadal de fato,com tanta abreviatura, e sem pausas para troca de campo.

E as caras deles, todas com mascaras pretas, os corpos a cairem sobre a mesa, e a dizerem devagarinho 't-h-e p-r-i-c-e o-f t-h-o-s-e B-F's,n-o-t i-n t-h-e E-R's a-r-e O-T-T'. A sugarem os chas, desconcentrados a desenharem rabiscos gordos em cadernos de linhas, e quase a salivarem com os valores e as viagens a destinos tropicais com nativas suadas e semi-nuas, patrocinadas pelos fabricantes de janelas.

E eu a imaginar a cena toda.

Juro que houve um segundo em que pensei gritar.Ia ser giro, assustar estes ingleses.

Decidi nao o fazer. Decidi antes mudar de comprimido.

Estas sao so as abreviaturas usadas que me lembrei agora.

TBA- to be agreed
TBC- to be confirmed
DPM-dump proof membrane
EV- extract vent
AB- air brick
BF- boiler flue
SVP- soil and vent pipe
DWP- drain waste pipe
SS-sub slab
AOV- automatic opening vent
OTT- over the top
ER- employers requirements
FFL- finish floor level
M&E- mechanical and electrical
RFI- request for information
GA- general arrangements
SBD- secure by design
BR-building regulations

28.1.08

Resolução 2008


...dormir uma noite aqui

numa das suites com vista para o mar...

...foi uma amiga inglesa que me contou,com o ar mais natural do mundo, que tinha estado, escondida, a mergulhar à noite na piscina da cobertura.

...e ela nem é arquitecta, foi lá ter por acaso.

22.1.08

Lost in Translation



Quando andava à procura de casa nova, ainda a morar no barco, vim aqui a Camden ver uma das hipóteses que tinha em cima da mesa, e que acabou por ser o sítio onde fiquei. Ao contrário da minha intenção inicial tive que pôr em questão viver com pessoas que não conhecia.

Esta casa tem 4 quartos e uma enorme zona comum. Estava à conversa com a rapariga que ia alugar o quarto e ela estava-me a explicar como tudo funcionava na casa, o preço, o imposto,a empregada, as máquinas,etc.

Pensei dois segundos, olhei à volta e com um ar muito inteligente perguntei 'Cool.And how is the cleaning of the private parts?'

A miúda chorou a rir.Só depois percebi o que estava realmente a perguntar.


(Ainda dentro deste tema, não é 'virgin cd' que se diz, mas sim 'blank cd'. Ah, e quando dizemos 'This guy really impressed me' significa que não lhe achas piada nenhuma)

10.1.08

Em choque



Acho que quem vive fora de Portugal sabe bem que, o que realmente custa , é não acompanhar a família e os amigos, tanto quanto se gostaria.

No Natal aproveitei para estar, em tempo de qualidade, com muitos dos que me são queridos. E no topo deste grupo incluem-se os meus primos.

Uma das minhas primas tem 9 anos, e chama-se Sara.´Na verdade, é mais que minha prima. É também minha afilhada.É a minha flôr.

Nasceu no apogeu da Expo98, cresceu rapidamente no meio das tecnologias e agora tem messenger.

Agora tem messenger, agora tem messenger, agora tem messenger,agora tem messenger.

Desculpem-me a incapacidade. Não consigo escrever mais. Estou em choque.

9.1.08

Completamente imperdivel



Para o pessoal que vive em Londres, ou esta a pensar mudar-se para ca, este livro e uma biblia, que ajuda a perceber realidades que achamos estranhas.

Porque e que e tao dificil encontrar a placa de uma rua ou o numero da porta? Porque e que os ingleses precisam sempre de 5 minutos de conversa de treta antes de passar a accao, numa reuniao de trabalho? Os desbloquadores de conversa: tempo e mercado imobiliario,o respeito por outros povos, a saudavel mania por jardins, as palavras a evitar...

A venda na Amazon


(Obrigada Maria e Joao, grande presente de Natal)

23.11.07

Rotinas


Rotinas que me dão especial prazer em Londres

- Skinny Decaf Cappucino,tall, to take away, no 'Pret a Manger' antes do trabalho

- Cinema das 4F, promoção 2 for 1 da Orange Mobile.

- Ir ao mercado de Camden aos Sábados vaguear vestida com roupa escolhida obrigatoriamente em não mais de 6 segundos.

- Almoço de peixe das 4F, com pessoal mais chegado do atelier. Começou como uma ideia saudável e acabou numa mania.

-Koko às sextas à noite.O melhor club de Londres, que acontece estar no meu bairro.

-Aquele japonês escondido do Soho, a 14£, till you drop. Claro que os empregados são todos chineses.E depois um copo em Covent Garden. Juro que adoro esta sequência.

-Pilates às 2F em Angel no meio de todos, e aos Sábados aqui em Camden num ginásio só de mulheres, e por isso, com muitas muçulmanas de fato de treino e burca.

-Aqueles scones de Chelsea, sempre que alguém vem cá de visita.

-Chá no Savoy, Domingos 5 de tarde.Este, infelizmente, não é tão rotina como gostaria.

-Ir à Waterstones (livraria) de Camden ver quantos da Paula Rego, Saramago e Lobo Antunes é que lá estão e pôr as capas para cima.

-Identificar as prostitutas e drogados à porta do meu supermercado Sainsbury's. Gosto de os ver por perto porque tornam esta zona muito segura, e dão um colorido especial quando misturados com as finórias de Primrose Hill (Kate Moss e Jude Law incluídos).

-Tate Modern fazer o update do museu e loja. (Chegaram agora uns cartões de Natal que julgo serem de um designer português.A investigar)

- Subir ao monte do parque de Primrose Hill ao entardecer,com os olhos a chorarem do frio.

21.11.07

Simone White



Reparem na cena. Depois de sair tarde do atelier e apanhar uma chuvada desgraçada porque alguém foi 'para o piso de cima' em King's Cross, chego a casa com espinafres na mão direita e sem paciência para fazer sopa na mão esquerda, quando da BBC oiço a chegar baixinho esta delícia de música.

20.11.07

27



Acabadinha de chegar de Santander onde fui passar o fim de semana com a recém-formada Joana, no anterior com o João e as novas perspectivas, no outro com a Catarina, o Zé e o projecto, aí dois antes com o O,a Rita e o casamento, a Maria e o João e tudo, o Diogo e a Marta e a busca da nova casa, antes cá com a Godinho, o Bruno, o Júlio e a Paulinha e a consoada Xangaituga, a Ana e o seu Zé e o começo de tudo. O Guimas e a Ana a viver em Londres, agora o Rui também,em breve vou ter com a Elise a Paris, depois conto com a Maria e o João, depois o Luís e os meus pais para os meus anos e o Natal para rever todos os outros.

Orgulho-me de poder dizer que os 26 foram passados rodeada de mimos.

Sem vocês isto não tinha piadinha nenhuma.

Ansiosa pelos 27.

5.10.07

Lx-Ld




(Para não me voltarem a falar da qualidade de vida em Portugal)

Sentado.Cruza a perna,levanta o pé, prende com a mão e estala o pescoço.

'Será que te importas de te sentar ao meu lado e, com calma(expira com força), com muita calma, me explicares de novo essa história'

'É muito simples,já te disse.Foi de manhã,estava muito frio. Estás a ver como amanheceu hoje. Aquele sol de Dezembro em Londres,meramente decorativo'

'Por amor de Deus, tu não gozes comigo. Tu não me faças perder a paciência. O que é que o frio tem a ver com teres dado cabo da vida a alguém, e esse alguém ser eu'.

'O frio leva-nos à loucura.Eu dou-me mal com o frio, dá cabo da minha moral'

Neste segundo dá um passo em relação a ela e encosta o nariz ao seu nariz,a testa à sua testa,vermelho e a suar.

Ela dá um passo atrás.

'Não te irrites,ouve-me com paciência.',continuou.

'Saí de casa, fechei a porta, de Oyster na mão direita e luva na mão esquerda, passei pelo Sainsbury's para comprar uma sandes para almoço, no Starbucks para disfarçar o sono e rumo ao trabalho. Sempre vento,sempre chuva,aquelas manchetes de adolescentes mortos a tiro,três e quatro a venderem-me droga,sem chapéu, já tinha dito que me esqueci do chapéu em casa?Não tinha, mas esqueci e tu sabes como perco muito frio pela cabeça.É como ter frio na consciência. E para mais de saltos, que hoje tinha uma reunião importante, em Moorgate. Estava atrasada, muito escuro e sempre a chover.Miudinha.Aquela chuva irritantezinha.O dia todo nisto.Reuniões com homens sujos, e mulheres gordas e muito brancas.Tudo muito feio. E sempre a chover, sempre aquele vento no pescoço, de porta em porta.'

'E então?'

'Então que se era para cometer um crime, havia de ser hoje.Que Deus haveria de perceber, é muita luta para uma cidade só.Uma pessoa não aguenta.Nunca senti isto antes mas acho que aqui sentes-te obrigado a dar algum sentido à vida, a ser dramático.Ter alguma acção,percebes?'

Ele continuava a suar em bica.'E então?'

'Então que entrei e comprei. Um saquinho pequenino e leve.Confunde-se com farinha.Até foi barato.Não era para pôr todo.Só dar um gosto e ver o efeito.Mas esqueci-me que tu também vives em Londres, que nunca chegarias jovial a casa.Desculpa,fui uma crente.'

Abraça-se a ele, dá-lhe um último beijo e diz,

'A verdade, é que nunca devíamos ter saído do bairro de Benfica.Foi uma pena.Há qualquer coisa em ir fazer as compras ao Colombo que nos prende à vida'.

30.9.07

Metro



Gosto de ler.Aliás, como a maior parte das pessoas que conheço.Não acredito na história de que as pessoas não gostam de ler.Não têm é paciência e por isso não perdem tempo.O que faz todo o sentido.

Pois comigo passa-se exactamente o contrário. Quando perco o interesse em alguma coisa, leio.O que nem sempre acontece em frente a um livro.Já dei por mim a ler catálogos de lingerie,asteriscos de anúncios de seguradoras,componentes químicas de gomas,TV Guia,o missal em polaco ou instruções Ikea de montagem de prateleiras, e eu nem tenho prateleiras.

Já li muita porcaria, verdade seja dita. E tenho que admitir que a maior parte da porcaria que li me deu um enorme gozo.

É por isto que deixei de levar o meu livro para o metro.Amo dedicar-me ao meu livro devagarinho, deitada confortavelmente, como que numa relação longa e racional em que o prazer vem devagar. E amo viver esse laboratório que é uma viagem no metro de Londres, numa relação fugaz, de amante estrangeiro. Todos os dias há anúncios novos,crianças com livros de letras garrafais,adolescentes com t-shirts emblemáticas. Já li livros esquecidos, jornais de caridade, revistas da comunidade indiana,relatórios de contas de uma empresa de trading e letras de uma aspirante a cantora pop.


Depois de tudo o que já li na vida, creio que pouco te ensina mais do que o teu próprio cenário.

27.9.07

Feist- Parte 2,O Regresso



Há uns tempos conheci a Feist ,numa relação unilateral,e escrevi um texto num antigo blog que tinha.Estava numa espiral obsessiva, com sessões contínuas a desenhar pormenores constructivos ao som da sua guitarra e voz. Acabou, como tantas relações acabam, no expoente máximo, em forma de concerto. Esperem,refaço esta linha. Acabou, como tantas relações acabam,no expoente máximo na forma de um concerto inesquecível.

A meio daquele concerto num pequeno auditório da Av. Roma,ela puxa do telemóvel, vira-se para a assistência e diz.' O meu irmão anda tonto por uma portuguesa que conheceu lá no Canadá. Vocês se não se importam cantam só cançãozinha típica aqui para o voice-mail dela'.

Foi bom, mas passaram-se dois anos.

Até ontem.

Na primeira fila, numa pequeno auditório em Sheperds Bush, na zona Oeste.

A certa altura ela pergunta se havia alguém na sala que soubesse tocar bem piano. E um chinês atrás de mim (eles perseguem-me) diz ' I could,I could'. E ela continuava 'Mas bem mesmo, não era só uma música.'. E ele respondia ' I could, I could', e sobe para o palco. Dá-lhe dois beijos e senta-se ao piano.

Não dá para descrever o que passou a seguir.

Ele começa a tocar uma música que imaginara há uns anos para a mãe.

O auditório gelado e a Leslie (Feist) de boca aberta.Era um homem que está ali a deixar a alma. A ritmos diferentes, mexia o corpo, numas calças verde eléctricas, um cabelo à tigela e unhas pretas, num cenário que só faria sentido em Londres.

Quando acabou, o público, que tinha vindo para ver o concerto dela, veio abaixo em aplausos.

E ele não quis deixar o palco.

Pegou no microfone e desembaraçou uma poesia num inglês arcaico em que tudo faz mais sentido.

Para acabar a actuação, virado para a assistência, e olhos postos na namorada, duas filas atrás de mim e dizer ' Will you marry me'?


Tinha combinado tudo com a Feist.


Assim faz sentido que ela escreva as músicas que escreve.


(nota:este texto não teve revisão.foi escrito de impulso.agora ando nesta onda de escrita orgânica, é mais feia mas sou mais eu)

30.8.07

Meu amor maior



Pediste-me e eu escrevi-te uma carta com a mao direita. Disseste que lenta como a escrita escorreria a sensatez.

Que nao a escrevesse com a esquerda e que jamais, em hipotese alguma, desenhasse fosse o que fosse. Que assim comeria palavras e faria um bypass ao exercicio.

Acontece que, num papel especial, desenhei cada letra. Em maiuscula e em minuscula, e depois alternei. Fiz dancar o pulso com a forca e valsa de um velho chines.

Deixei a caneta cair ofegante e so escrevi tres palavras

'Meu Amor Maior'

Quando acordei achei tudo um disparate, que com a direita troco o pensamento e era melhor deixar-te um post-it no frigorifico.

'Comprei-te fiambre fininho'

Tu sabes que te quis dizer o mesmo.

Ricky Gervais

29.8.07

Bem sei



Bem sei que depois das ferias que tive e mais que merecido um post aqui.
Mas nem sei por onde comecar.

So sei que ainda estou a aterrar em Londres e que, em casa nova e com amigos a chegar tenho um bocado a sensacao de regresso as aulas. Voltar a deitar cedo, comer a horas certas e esperar pelo fim de semana.

Feliz. Bastante feliz.

21.6.07

um resumo muito resumidinho-4 meses

gilbert and george
eu e a Amy Whinehouse no mercado de Camden


com a Ines na festa pimba do 10 de Junho

com a Ines, Ricardo e David numa viagem que fiz ao Norte



numa viagem a Cambridge





numa festa no barco












Barco








Cada vez que tenho uma visita no barco que tenha visto as fotos no blog ouco um redondo 'chiiii, nao tem nada a ver'. Entao ca vao estas novas fotos,com uma Londres debaixo de sol e a chover em Lisboa...xuxu

7.6.07

No mail de hoje


BBQ da empresa, a ramboia, a palhacada, o disparate

30.5.07

Troca de Mails

Mails Internos

Pergunta Hoi Yat Tsoi- Has anyone specified foldable nappy changing table and stainless steel lab sink for Nurseries?

Responde David Graham- You need to get out more!

24.5.07

Esta vossa alma


Esta vossa alma vai mudar de casa. Ao fim de 3 meses, deixa Notting Hill e vai passar os meses de Verao num barco atracado no Thames.
A aventura continua.

3.5.07

Ontem


Ontem acordei a meio da noite. Tinha uma dor entre o coracao e o umbigo. O coracao batia com arritmias e ia enviando para o umbigo ondas de adrenalina. Na rua nem um pio. So o som do meu coracao a rir-se de mim.
Voltei a adormecer.
Quando acordei de manha, nao estava melhor, e nao fui trabalhar. Fui ao hospital e aproveitei para fazer analises ao sangue. Disseram-me para esperar duas horas, que os resultados viriam ja com a consulta.
Quando dei por mim tinha tres medicos a minha volta. ' Nao se importa de entrar. O assunto e serio'. ' Onde esteve a viver antes de vir para ca?' ' Na China'. ' Hum, interessante.E na China apanhou algum tufao?'. 'Sim, um logo no inicio do meu ano la, mas foi fraquinho'. ' E costuma andar com o cabelo solto ou apanhado?' ' E conforme'. ' Conforme?' 'Sim, e ao acaso'. 'Menina, nao ha acasos, ja vai perceber.' Iam perguntando a vez.
' E quando anda com ele apanhado nao sente que se despenteia como se estivesse estado, mesmo antes, no meio de uma ventania?'. 'Sim, por vezes, e ando convencida que e do amaciador'.
' Mas porque isto tudo, eu vim ca porque voltei a ter das minhas arritmias? Que se passa?'
Ouvi-os a falar baixinho entre eles.
' Bem, quem e que lhe diz?'
'Diz tu Ben, que foste o ultimo a passar ferias no Algarve'
Viraram-se ao mesmo tempo e o Ben falou.
' O que corre nas suas veias, menina Guida, nao e sangue. E vento'. 'As suas arritmias sao males de amor que se dao pessimamente com o vento, porque nao para quieta.' Os fluxos de adrenalina vao dar ao seu umbigo, porque o umbigo e o centro do corpo, e o amor e o centro de tudo.' O amor que falamos nao inclui o seu amor por um homem, que esse vem do cerebro e da pele' . E antes aquele amor pelas coisas simples, como ir sempre a um mesmo cafe, ou ver sempre o mesmo programa de televisao, saber as flutuacoes do preco da farinha '
' Ou saber o que e ir sempre ao mesmo cabeleireiro?'
' Exactamente'.
' Entendi. Obrigada. Agora faz tudo muito mais sentido na minha vida'.
'Muito obrigada, e optimo quando a ciencia ajuda a explicar a vida'.
'Olhe, antes de sair. Se por acaso, nesta proxima semana, comecar a sentir uma humidade na garganta, ou o cabelo mais electrico, nao se preocupe, vai-lhe comecar a epoca das trovoadas. '










26.4.07

Desafio deste almoco das quintas!




O rapaz que vai fazer o almoco das quintas hoje lancou este desafio por mail que tem de ser resolvido ate as 13.00 (hora do almoco que esta a preparar!), se alguem souber a resposta...



Rules are following.

First person who will solve the riddle, (below) and will send the proper answer on my email
wins THE BOTTLE OF POLISH VODKA :) !!!

If there would be more than one proper answer - time of sent will decide. Competition closed at 13.00

If there won't be any proper answer - the main prize goes to the ticket lottery
The author of most creative (but wrong) answer win the special prize ( chocolate )

******************* THE RIDDLE ****************************
You have two ropes. Each of them requires one hour to burn completely. However, they may burn
irregularly, such that half of the rope may burn in more or less than half an hour; you don't know the
burning time of anything less than a full rope. How can you measure 15 minutes accurately with these ropes?
********************************************************************************************

Ticket lottery

The tickets would be available in a box, next to the lunch table from 13.00
Every person is taking one (and no more then one) ticket.

Prizes to win:

10 x polish chocolate
1 x polish vodka (x2 if "the riddle" won't be solved)

Good luck :)

Enjoy the lunch :)

Irek

22.4.07

frase do dia

givers never lack

(vi na livraria ao lado da minha casa que, por vezes, oferece livros)

19.4.07

Arquitectura


Ando bastante impressionada com a relacao cliente-arquitecto aqui em Londres. E passo a dar dois exemplos praticos, que me parecem ainda bastante longe do que acontece no nosso pais.

- Hoje de manha um residente num projecto de habitacao social do atelier telefonou para a recepcao descontente com a performance da sua porta de entrada. Dizia que nao impedia completamente as aguas pluviais de entrarem e que estava a prejudicar o pavimento. A minha directora quis ver os desenhos tecnicos antes de seguir, de imediato, para a casa do senhor. Acontece porem que, apesar de todo o metodo local, o dado desenho, numa completa lista de mais de 100 portas, estava em falta. E quem o tinha desenhado ja nao trabalha no atelier. Trabalha no atelier concorrente, a 5 minutos a pe. Qual nao foi o meu espanto quando o vejo entrar para ajudar na busca. La encontraram o desenho, la foi a minha directora, duas horas depois do telefonema, resolver o problema.

- Enquanto vos escrevo este mail, esta a haver uma conferencia das quintas (que sao as conferencias apos os almocos de atelier que vos falei antes) chamada ' De dentro para fora'. Ali esta a falar a equipa do atelier responsavel por saber o que sucede quando o projecto e entregue ao cliente final. Sao feitas reunioes locais onde participam pessoas de todas as idades que, com jogos, testes e questionarios, respondem ao que queremos saber, para melhor desenvolver o proximo projecto.

Queria que no meu pais tambem fosse assim. Nao pode ser so bom sol.

17.4.07

Senta-te aqui


Senta-te aqui ao meu lado.

Quero que saibas que o que hoje encontraste no fundo dessa gaveta sao bocados das minhas raizes. Nao te quero esconder que es feito de um troco do mundo para alem do que por enquanto conheces. Que quando inclinas a cabeca e me olhas devagarinho, celula por celula, me lembras a China. Que nas noites quentes em que divides ideias, sentado no asfalto quente e sujo de terra, revela-se Espanha. Que es mais Londres quando,a limpar os teus pinceis, cantas baixinho.

Se, quando olhaste para a gaveta, sentiste que ja la estiveste, nao estranhes. Estiveste la, em mim. Es composto dessa massa de vento que passou pela terra e correu a minha vida. E agora faz parte de ti.

Quando ja nao estiver aqui contigo, visita este sitios, e encontrar-me-as.

12.4.07

38 para Alvalade



1a- Estive em Lisboa no fim de semana e tive a sensacao de estar a apanhar o 38 para Alvalade. Encontrar um colega do Contacto e ouvir um "tambem vens no das 6, na Segunda, nao e?".
1b- Nisto aprendi a arranjar uma mala rosa choque. As dos ingleses sao todas monotonamente pretas, pequeninas e da mesma marca.1c- A ida fui com a equipa do Starwars, entre princesas Leah,Lukes e latas de cerveja. A vinda vim com a mesma equipa, em versao lagosta e todos com um olho negro.
2- Sou so eu ou Lisboa anda ainda mais linda, mais sexy e mais apetitosa?
3- Ai o que eu me ri com 13 graus em Lisboa, e 20 em Londres.4- Proximo fds, la apanho o 38. Fim de semana Contacto no Estoril!




4.4.07

It is I


Quando nao se passa nada aqui e porque se continuam a passar duas coisas. Nao tenho maquina fotografica. Nao tenho net em casa.Nao e desculpa. Tenho tudo para vos contar.



1- E engracado como viver pela primeira vez numa ilha tem tanta influencia no meu dia a dia. Estas almas nunca tiveram uma invasao digna de lhes mudar as ideias.Exploraram mas, creio que pela primeira vez na historia, estao a sofrer a influencia de outros povos em casa propria. Estao a usar o que eles tem de bom e a repensar aspectos mundanos. Ontem acabei de ler um livro impecavel sobre Londres que dizia, e com razao, que aqui nao ha minorias. Eu pertenco sempre a uma maioria, porque ha sempre muita gente como eu. Ha muitos portugueses, ha muitas jovens arquitectas, ha muita gente a viver em caves em Notting Hill.Em Xangai havia muita gente, mas ninguem como eu.



2- As casas aqui sao piores que as do Cambodja. Nao me venham com a historia de primeiro mundo. As estruturas riem as gargalhadas quando desco as escadas de Londres. Seja num banco, seja numa casa particular. E, para quem nao me conhece, eu sou daquelas pessoas que tem que dar um pulinho nos elevadores antigos para eles andarem.



3- Aqui ando com uma vontade louca de ser pimba. Experimentar mais. Arriscar mais. Ando feliz da vida com o meu troley de velha, que levo para comprar fruta,flores e pecas 'vintage'. Pinto-me mais. Faco misturas. Compro coisas estranhas que acho o maximo. Combino backgrounds diferentes. Pergunto como se faz porque quero ser pessoas diferentes.



4- Sou muito tenrinha e ando a cantar baixinho outra vez. A descobrir que tudo o que aqui passamos e do po ao po. Por isso o que vivemos, sao lacos, nao sao nos.
Stand by me.

1.3.07

Notting Hill Gate





- Got myself um estudio pequenino e cheio de carisma em Notting Hill.E um lugar mesmo feliz!

-Comecei hoje a trabalhar no atelier mais cool de Londres. Nao trabalho as sextas a tarde e todas as quintas feiras ha um almoco com todas as mais de 100 pessoas que trabalham la, em que uma cozinha e outra no final faz uma apresentacao sobre um tema que queira. As tercas ha pilates e as quintas Kung Fu.

-E mais nao digo que nao tenho mais tempo neste cybercafe, mas assim que estiver instalada, dou mais noticias, e das boas.

19.2.07

Nada do que foi será


Foi tudo tão rápido.
Há umas semanas atrás estava na fila para a exposição do Amadeo de Souza Cardozo, quando vejo uma amiga que já não via há algum tempo.
"Ainda bem que te vejo, ando há imenso tempo para te ligar...O meu primo está agora em Dublin e diz que estão desesperados por arquitectos...eles lá estão a construir que é um disparate...queres ir para Dublin trabalhar?"
Eu não queria especialmente ir para Dublin. Aliás, eu nem estava a pensar ir para lado nenhum.
"Olha, a tua prima disse-me que andam a precisar de arquitectos.O que é que é preciso?""Só tens que fazer o Portfolio"
Depois de o terminar, pensei "Eu não quero ir para Dublin" .
Comprei um vôo para Madrid e outro, de seguida, para Londres e parti à aventura. Depois de uma semana de mais de 10 entrevistas,voltei com várias propostas, sendo a mais interessante em Londres.
Quem fez o programa Contacto sabe perfeitamente quem é o Professor Pinto dos Santos. Durante a formação do programa ensinava muito mais que pura Gestão Internacional.
Dizia:
"Se por acaso puserem a mão na terra e encontrarem petróleo, isso é sorte. Mas se estiverem a cavar batatas e nesse processo encontrarem petróleo, isso é fortuna."
Hoje parto para Londres.